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Lobisomens e o uivo da besta interior

Lobisomens e o uivo da besta interior

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Re: Lobisomens e o uivo da besta interior

Mensagem por Wings of Despair em Dom Fev 19, 2017 8:04 pm


– a história das feras

No começo eram cinco. As cordilheiras de montanhas nevadas espalhavam-se, cortando as tundras frias do Norte, e em cada vale entre elas, havia uma. Eram cinco. E agora restam duas.
Ehu aconchegou-se melhor diante da grande pira em chamas. As brasas ardiam, crepitando e vomitando longas labaredas que lambiam os longos freixos de madeira, espalhando vagalumes de fogo aos céus densamente estrelados. O jovem olhou por cima do ombro para o pai, que se erguia em pé ao seu lado, encarando as chamas por baixo do longo capuz de pele de lobo. O chefe da tribo dos domadores de feras respondeu ao olhar do filho, suspirando. Ele encarou todos os rostos assustados, iluminados pela luz quente das chamas.
E então deu as costas, dirigindo-se para a decida da montanha, atravessando a estrada entre as longas pedras espetadas para a lua cheia no alto do céu.
No começo eram cinco. Agora só resta uma.

Desde que a tribo dos caçadores de maré não comparecera à reunião, dois dias atrás, o chefe da tribo, Nohouka, não havia dormido. Pensara por várias subidas e descidas do grande Sol, mas nenhuma solução viera em mente. No fim do dia, ele decidiu que era melhor pronunciar-se antes que a inquietude da tribo causasse algum outro problema. Na noite anterior, dois caçadores lutaram até que o nariz de outro quebrasse. Um defendia cegamente que Nohouka estava preparando uma solução. O outro reunia votos para um novo chefe de tribo. O primeiro vencera a luta, mas Nohouka pensava agora que talvez o segundo que estivesse certo. Ele não possuía solução alguma. E o rosto vidrado do seu filho não contribuía em nada.
O garoto crescera correndo pelas terras íngremes do vale e além, aventurando-se nos mais altos picos das cordilheiras. Desde jovem aproveitara a vida mais do que qualquer um dos soturnos domadores de feras que o observavam com encantamento e admiração. O garoto nascera com uma densa cabeleira ruiva, um presságio de grandes feitos entre a comunidade de tribos da Cordilheira da Neve Eterna. Era o prometido, o que mudaria o mundo. O que faria o inverno eterno sumir e o verde das histórias cobrir as montanhas.
No fundo, Nohouka nunca acreditou realmente nisso. E agora, olhando como Ehu parecia imponente diante do fim do legado dos domadores de feras, a certeza era tão garantida quanto o inverno iminente. O inverno e a morte. O garoto levantou a cabeça quando o pai se ergueu abruptamente, saindo da tenda. A longa cabeleira vermelha de Ehu sacudiu com o sopro frio de ar, e ele acompanhou o pai. Abaixou a cabeça levemente para sair da tenda, e deixou que sua pele acostumasse com o beijo gélido do acampamento coberto por finas camadas de neve. Um por um, os domadores e domadoras pararam seus afazeres – que Ehu desconfiava que estavam fazendo automaticamente, apenas para tentar ocupar a cabeça com algo – e se aproximaram do chefe a tribo, com olhares ansiosos.
- Os caçadores de maré morreram. – Começou Nohouka, olhando em direção à lugar algum. Os tons alaranjados e rosados do fim da tarde pintavam a escassa grama morta que escapava entre as camadas de neve cada vez mais constantes. – Como os dançarinos do ar antes deles. Como os rompedores de cascos, como os andarilhos verdes. – A tribo lentamente abaixou a cabeça, não ouvindo nada que eles já não soubessem. – Não haverá mais peixe, não haverá mais cultos, não haverá mais carne, não haverá mais ervas. E logo, não haverá mais feras.
Fardh, um domador veterano, afagou a cabeça do seu lobo domado, que sacudiu o corpo levemente, estremecendo com o afago:
- Está colocando lenha na nossa pira antes de morrermos, chefe. – O loiro falou, com olhar atento por trás do capuz.
- Não haverá pira, Fardh, pois não restará quem acendê-la. Temos uma lua inteira antes que eles cheguem. Os que quiserem fugir, fujam, mas eles os alcançarão. Os que quiserem ficar... – Nohouka levantou os braços, indicando o acampamento. – De um jeito ou de outro, morremos sozinhos. Não há legado, não há verão. – O velho chefe olhou para o filho ao seu lado, que retribuiu o olhar. Os tons do fim da tarde cintilavam em seus cabelos ruivos. Nohouka voltou para dentro de sua tenda, e toda a tribo dos domadores permaneceram parados, deixando que a neve lentamente acumulasse por cima dos seus pés, pelo alto do seus ombros e capuz. Mas não Ehu. O garoto lentamente caminhou por entre os homens e mulheres paralisados, com determinação no olhar. Talvez fosse essa a hora de que as lendas falaram sobre. Talvez fosse a hora de trazer o verão e exterminar o frio deles. Dos eternos.
Naquela noite, Alikia sumiu para caçar. Ehu já estava acostumado com os sumiços constantes de sua loba. O jovem recusava-se a chamá-la de loba domada, pois crescera com ela e nunca se sentira em uma relação de domador para com domado, mas sim de família. Fardh parecia entender isso. O veterano acompanhava Ehu pelas redondezas da tribo, em silêncio. A cada passo, parecia que suas botas grossas afundavam fundo em mais neve que cobria as flores da tundra.
- Ele está desistindo não só de si, como de nós, Fardh. Ainda podemos lutar. – Ehu grunhiu, escalando uma pedra negra e fria.
- Eu sei, garoto. Mas não acho que nós podemos fazer algo. Nosso lema sempre foi sobreviver, e talvez tenhamos sobrevivido até mais tempo do que deveríamos. Talvez seja o que o deus deseja.
- Não me fale do deus, Fardh. Os dançarinos do ar dedicaram a vida a ele e foram abandonados aos eternos. –
Ehu olhou para Fardh, que escalava a pedra com um pouco mais de dificuldade.
- Talvez... Talvez no fim, os eternos sejam uma mensagem do próprio deus, Fehu. – O loiro subiu o corpo pela pedra, apoiando-se nos joelhos. Lentamente levantou a cabeça em direção ao filho do chefe. – Sonhamos tanto com o verão que esquecemos de venerar o inverno. E agora ele vem até nós.
Ehu abaixou-se, aproximando-se do rosto de Fardh:
- Então talvez minha lenda seja matar o deus.
O domador veterano fechou a cara, deixando-se escorregar pela pedra até a neve.
- Pense o quanto quiser, Ehu, mas não fale tão alto. Não sabemos quem pode ouvir. – O homem olhou em direção a vila, uma fúnebre luz amarela no pé do monte. – É melhor voltarmos.
- Vá em frente, vou logo depois de você. –
Ehu continuou escalando, sem esperar pela resposta de Fardh.
Era relaxante para o garoto. Desde que começara a aprender a escalar, não havia parado deste então de retirar algumas horas da noite para isso. Permitia que seus pensamentos fluíssem, rodopiassem com os ventos constantes. Jamais considerara-os como sussurros ternos do deus, mas sim um desafio do próprio, provocando Ehu a ir mais alto. E ele sempre ia. Sempre mais alto do que antes. Um monte atrás do outro. Um monte para esvaziar os pensamentos sobre sua mãe ter se tornado parte da neve. Um monte para aceitar a frieza do pai. E agora, um último monte antes de morrer.
Foi quando ele viu. Por um momento achou que fosse Alikia, e alegrou-se com a situação de ter encontrado com ela caçando.
- Alikia?
Uma sombra moveu-se rápido entre algumas rochas que espetavam para o alto.  Não percebera antes, mas caminhara durante a noite inteira. A vila não passava de uma luz tênue entre a névoa da manhã. Névoa. Em volta dos seus pés não era neve, mas apenas névoa. De repente, uma lufada forte de ar empurrou o garoto, que tropeçou um pouco antes de estabilizar-se. A nevoa havia dissipado, e de alguma forma, levado grande parte da neve. A coloração alaranjada da grama da tundra soprava suavemente com a brisa matinal, nas cores de sua cabeleira bagunçada.
Então, outra lufada de ar. Dessa vez quente e barulhento.
Ehu virou-se.
Ele havia encontrado o deus.
Ergueu o braço, completamente atônito. Seu corpo ficou dormente e a cabeça girou, sem pensamento algum.
- Deus?
- Não.

Um enorme lobo negro erguia-se diante do garoto, com as patas apoiadas nas rochas negras. Garras tão grandes, longas e curvas, que perfuravam na textura da pedra, rachando-a. Era maior do que qualquer rocha na montanha, e seu pelo era completamente escuro, sem refletir qualquer luz dos primeiros raios de sol. No alto de sua cabeça, dois curvos chifres rodopiavam, circulando seu rosto. Ele abriu os olhos, que explodiram em uma luz vermelha e profunda, e rugiu. Todo o resto da névoa desapareceu, e as rochas em volta de Ehu racharam. O garoto permaneceu imóvel. O grito da fera era tão profundo que parecia ter vindo das profundezas do monte.
- D-Deus? – Ehu repetiu com a voz fraca.
O lobo novamente rosnou, apertando as rochas, que se esfarelaram. O lobo apoiou-se no chão com um estrondo.
- Não me ofenda, criança. Eu sou real.
Ehu piscou os olhos, confuso. Não conseguia pensar em nenhuma explicação para o que estava vendo diante de si. Então, de repente, o lobo aproximou o focinho de Ehu:
- Pergunte.
O garoto gaguejou por um instante, pensando que talvez, se gritasse, pudesse pedir por ajuda. Olhou por cima do ombro novamente, e viu quando a luz fraca da fogueira da vila começou a apagar com o vento matinal. Estava sozinho.
- O que você é? – Virou-se para o lobo, finalmente perguntando.
O lobo grunhiu, satisfeito.
- Guerra.

Ehu sentou-se com a criatura durante toda a manhã, fazendo pergunta atrás de pergunta. Perguntou sobre o deus, e descobriu que o vento não falava. Sempre que tentava perguntar sobre a natureza da criatura, obtinha sempre o mesmo estilo de resposta: Vingança; Aflição; Assassinato; Entropia. Nada além de palavras vagas para resumir toda a magnitude daquela... entidade.
Então, finalmente perguntou sobre os eternos:
- O que são eles? Por que vieram? Se o deus não existe, o que os trouxe até aqui? Por quê? – Ehu perguntou, exasperado.
O lobo pacientemente respondeu, deitado entre as rochas escuras da montanha:
- São o exército da guerra. Eu os criei, mas para propósitos maiores do que assuntos mundanos como de dominação. Eu fui um guia para eles, um receptáculo de conhecimento cósmico inesgotável. Ensinei-os sobre a natureza do que há. E ensinei-os o papel deles nisso. – O lobo piscou os grandes olhos vermelhos, acompanhando Ehu, que andava de um lado para o outro, com o cenho franzido.
- O que houve? – O ruivo perguntou, sem interromper o ritmo da caminhada.
- Ganância. Um líder sem visão. Os rios de ouro de sua terra pareceram mais agradáveis a ele do que o que a verdadeira vitória na única guerra que importa tinha a oferecer. Tolas crianças brincando de batalhas sem propósito, ignorantes aos rios de estrelas que os circulam em seus amados palcos de madeira encharcada de sangue. – O grande lobo rosnou.
- Existe alguma forma de pará-los? Você os criou, não pode mata-los? – Ehu perguntou, aproximando-se do lobo.
- Não seja ridículo, peste. – O lobo rugiu. Sua voz retumbante paralisou Ehu, que se lembrou com quem estava falando.  – Não posso pará-los sozinhos. Eles possuem em mãos algo de poder vasto, que desde sempre se mostrou ser... Um desafio para mim. – A entidade cerrou os olhos em direção à Ehu, que gelou. – Você veio aqui buscando uma solução. Você encontrou.
- O que você propõe? –
O ruivo perguntou, receoso. O vento frio da manhã circulou pelo seu corpo, levantando calafrios.
- Uma aliança, garoto. Entre eu e você.
- Eu? Por que eu?

O lobo soltou uma baforada, assoprando os cabelos ruivos de Ehu.
- É seu propósito, não é? – O lobo levantou-se, espalhando terra e pedras despedaçadas pelo chão. Ehu abaixou a cabeça, submisso. – Porém, há sempre um preço. – A fera ergueu a cabeça em direção aos vales montanhosos distantes, cobertos por névoas além da vila. – Chegarão em um vinte e sete sóis. Uma lua completa. E durante uma noite em cada sete sóis, você será meu. Não lembrará de nada e coisas estranhas acontecerão. Não seja descoberto, não permita que mais alguém se envolva. Quando o vigésimo sete sol se pôr, o terror dos vampiros acabará.
Ehu levantou o olhar em direção à entidade. Sabia que desde criança possuíram um propósito maior, mas esperava que quando o dia chegasse, fosse claro e aconchegante, recheado de festas e comida. Ele estaria cercado por pessoas que ama, e seu pai, entre os domadores que comemoravam, acenaria para ele em satisfação. Nunca imaginara que aconteceria no alto de um monte frio, cercado por névoa, à mercê de uma entidade que se denominava entropia.
O lobo lentamente aproximou-se de Ehu, erguendo a pata gigantesca. Uma de suas garras negras iluminou-se, escarlate, da base até a ponta. Ehu caiu de joelhos, fechando os olhos.


E assim, os dias se foram. Nada aconteceu pelo resto do ciclo de sóis. Além do corte aberto em seu peito, que não cicatrizou nem sequer um pouco, nenhuma comoção diferente ocorreu. A tribo estava tomada por uma melancolia, seu pai estava recluso em sua própria tenda. Mas, quando o fim do ciclo chegou, a promessa do lobo se cumpriu.
Ehu sentiu um desconforto constante durante o dia inteiro. Seus membros estavam doloridos, inchados, e ele sentia sua língua pesar na boca. Não tinha disposição alguma para patrulhar ou caminhar com Alikia, que nesse dia parecia evita-lo de forma bastante agressiva, sempre rosnando e recuando. Isso fez o garoto começar a se perguntar se havia tomado a decisão certa. Mas a dúvida não durava, visto que sempre que saia de sua tenda, via os rostos apáticos de seus companheiros, e a fúnebre tenda distante e fechada do seu pai. Alguém precisava fazer algo pela tribo, e ele era o único com poder para isso. Disfarçou o melhor que pôde o desconforto e a dor, e ninguém parecera notar. Mas quanto mais o sol se punha, pior as sensações se tornavam, chegando ao ponto em que o ruivo precisou sair para caminhar. Mas dessa vez, contrariando todas as outras vezes, ele não relaxou. Suas pernas ardiam à medida que ele andava, e isso era incomum para o garoto. Nunca foi tão difícil se manter de pé. Seus músculos pareciam se contorcer por baixo de sua pele, e a dor começou a se tornar insuportável, forçando Ehu à apoia-se numa pedra. O garoto olhou as próprias mãos, pisando forte para desanuviar a mente turva. As veias e artérias em sua mão inchavam, expandindo por baixo da pele de forma que ondulavam, e ele tremia intensamente.  Então um estranho brilho vermelho vindo de dentro de suas veias, e o garoto sentiu seu corpo inteiro queimar de dentro para fora. Fechou os olhos com a dor. Quando os abriu novamente, já era manhã.
Não lembrava de nada. Olhou em volta, estava chovendo leve por entre a névoa matinal, e seu corpo estava protegido por baixo de uma pequena elevação do terreno, mas a lama respingava por ele, sujando-o ainda mais. A cabeça do garoto estava pesada, e mover os olhos doíam a ponto de fazê-lo parar o movimento. Sua garganta, seca, a ponto de parecer rasgada, e suas juntas estavam duras, cada movimento estalava seus ossos. Ehu piscou forte, observando seu corpo. Manchas escuras de sangue seco e lama cobriam-no quase que por inteiro. Era verdade, havia sido usado pela entidade durante, talvez, a noite inteira. Deixou a cabeça pender, deitando na terra fofa. É um preço a se pagar pela sobrevivência da tribo.
Lavou-se na neve antes de voltar para a tribo, sorrateiramente. Precisava vestir-se em sua tenda ou seria impossível dar alguma explicação sobre seu estado. Foi quando estava passando por trás da tenda de seu pai que viu.
Fardh vociferava ordens, apontando de um lado para o outro, cercado de domadores. Eles corriam de um lado para outro, pegando trapos e tentando reunir as restantes ervas da reserva. Ehu ficou confuso por um instante, tentando entender o que estava acontecendo. Então, por um momento, o aglomerado de pessoas se afastou um pouco, e o garoto teve visão clara. Haka, a tratadora de peles da tribo, estava caída no chão, coberta suavemente pela neve, com os dois olhos arregalados em direção ao vazio. Seus longos cabelos loiros, sujos de lama e folhas, espalhados em volta do seu corpo junto à uma poça de sangue que escorria de um corte que abria sua face ao meio, e depois continuava rasgando até a cintura da anciã. Um pedaço grande de seu pescoço estava faltando.
Ehu perdeu o apoio das pernas, escorregando suavemente até o chão. O garoto olhou para as próprias mãos, ainda sujas com sangue ressecado por baixo das unhas.
- Ainda está respirando! Tragam o chá! Me tragam peles para aquecê-la! – Fardh gritava, indo de um lado para o outro e checando com as costas da mão o nariz de Haka.
O ruivo abaixou a cabeça, taciturno, não antes de ver Fardh dar um olhar sombrio em direção à cabana do seu pai. Ele não havia sequer saído para ver o que estava acontecendo.

Lentamente, os dias se passaram, pesados. Toda semana, uma nova vítima surgia. Fardh já havia dispensado a possibilidade de ser ataques dos eternos, pois não era esse o método deles. Parecia algo maior e mais selvagem. Pecava, sem delicadeza, diferente dos eternos. Ehu já havia se convencido de que essas mortes eram o preço a pagar pela sobrevivência do resto da tribo. Já havia abandonado a infantil ilusão de que traria o verão para suas terras e que todos comemorariam juntos. Na verdade, ele traria sobrevivência, e o faria pelas sombras e pelas poças de sangue na neve.
A cada noite que ele perdia a consciência, a seguinte era ainda mais dolorosa, e mais flashes de lembranças surgiam ao longo do dia seguinte. Lembrava-se de como tinha a sensação de que o tempo inteiro ao longo de sua vida, seus pulmões estiveram travados, e quando a lua sobe, não mais. Como se respirasse após um tempo submergido na água, ele sente o ar fluir fundo por dentro de si, completamente capaz de perceber cada diferente odor que o compõe. Lembra-se também de como se sente vivo, como se pela primeira vez seu corpo inteiro estivesse realmente trabalhando junto. As noites tão claras quanto o dia e o frio não pareciam mais uma sina para ele. Mas havia um preço, e as memórias mais obscuras as vezes flutuavam, límpidas. Esguichos de sangue espalhando pela neve fofa, gritos rápidos e secos, finalizados pela sensação do impacto das garras fatiando através de músculo, tendões e ossos. A sensação de poder diante da fragilidade de um rosto empalidecido e mudo. Mas a parte que fazia menos sentido para Ehu era a de que nenhuma das vítimas havia morrido ainda, estavam apenas em um estado catatônico de febre e alucinações. A tribo inteira estava comovida em cuidar dos feridos, e Fardh parecia ter se tornado um líder nato. Objetivava recuperar os feridos a tempo da próxima lua completa, quando os eternos chegariam. Enquanto era dia, Ehu ajudava seu velho amigo a investigar os ataques, e quando a noite chegava, desaparecia entre as sombras das pedras montanhosas, entregando-se ao lobo. O ruivo chegara a procura-lo novamente nas montanhas, mas não encontrara nada, nem sequer o lugar onde o achou a primeira vez. Estava começando a sentir um medo desconfortável nascendo em seu âmago, mas não podia parar o que já estava acontecendo. A última noite estava próxima. Logo ele e sua tribo estariam livres.


Então, o tempo não tardou a passar. Quando o último dia amanheceu, Ehu acordou com um sorriso tênue em seu rosto, que foi cortado abruptamente por uma dor excruciante pelo seu corpo inteiro, fluindo e pulsando do corte ainda aberto em seu peito. Gritou por um instante, antes de cobrir a própria boca com dificuldade, torcendo para que ninguém tenha ouvido. Contorceu-se entre as peles de lobo, arfando. Seus pulmões queimaram, e ele vomitou um sangue espesso e fétido. A próxima vez que recobrou a consciência, foi com os gritos dos domadores de feras.
Estava caído ao lado do corpo de sua loba, Alikia, que estava aberta ao meio, de olhos vítreos e mandíbula arrancada, pendendo de sua cabeça por apenas algumas poucas tiras de pele. Ehu gritou a pleno pulmões, contorcendo-se no chão. Não era justo, não era noite, não era parte do acordo. O lobo lhe enganou. Só podia estar com os eternos, havia vindo apenas para destruir os domadores de dentro para fora. Não devia ter confiado. Sentenciara sua tribo a morte.
Seus pensamentos fluíam a mil, com centenas de possibilidades e teorias de como ele havia errado. Até que finalmente parou para olhar em volta. Os domadores e domadoras o cercavam, com lanças curvas de presas de lobo, todos com olhares fundos de ódio fervente ou medo gélido. Ehu conseguia farejar os dois. Poderia acabar com todos eles ali mesmo. Sentiu suas veias ondularem por baixo de sua pele com a ira. Mas isso só daria vitória aos eternos. Deixou seu corpo amolecer, e Fardh se aproximou devagar, com mais três domadores, e eles ergueram o corpo ensanguentado de Ehu, arrastando-o pela vila. Antes de apagar, o garoto viu por entre os ombros dos domadores, seu pai observando-o entre as fendas da tenda do chefe, com um olhar de pura amargura.
Não foi assim que sonhara que mudaria o mundo.


Fardh largou-o dentro da caverna na base mais baixa da montanha, cravando os portões gradeados de pedra esculpida e trancando-os por fora apoios de ossos. Antes de virar-se para ir, deu uma última olhada para Ehu:
- Você encontrou algo aquela noite, não foi?
Ehu não respondeu. Fardh mergulhou na luz do dia, desaparecendo na subida da montanha. O garoto ficou, então, por fim, sozinho com seus pensamentos.
Aguardou, sentado no fundo da caverna, envolto em sombras, enquanto o dia acabava. Sabia que a noite estava chegando e que o legado dos domadores não viria um próximo nascer do sol. Com ele preso ali, não podia sequer tentar ajudar. E como ajudar, se poderia muito bem matar seus próprios irmãos, cegado pela maldição do lobo?
Então, quando o sol se pôs, ouviu um forte impacto, e o chão tremeu, derrubando pequenas pedras do alto da caverna. Ehu surgiu, correndo em direção à porta.
- APAREÇA, LOBO!
Um momento de silêncio, e algumas pisadas suaves quando uma grande sombra lentamente caminhou até o campo de visão de Ehu. Na penumbra da noite, a única coisa visível eram seus dois escarlates olhos vis.
- Esqueceu-se do nosso pacto, Ehu? O que está fazendo aí, parado? – O lobo rosnou com escárnio.
- Você me pôs aqui, criatura vil. Você e seus jogos de enganação me fizeram matar tudo o que importava para mim, à preço de quê? Você é apenas uma ilusão dos eternos. – Ehu apertou forte as pedras esculpidas da porta, que rachou.
- Calado. – O lobo falou ríspido, uma única e rápida vez, e parecia que todos os sons da noite haviam acabado. Toda a escassa luz, concentrada apenas em seus olhos, que se aproximavam. – Você testa minha paciência, verme. Não irá pôr em risco o que construí por conta de sua falta de visão. Venha, minha prole, e cumpra seu destino.
Com essas palavras, Ehu gritou, não de pura ira, mas também de dor. Seus pulmões queimaram e seus olhos giraram no rosto, inchando. O garoto chocou-se de costas com a parede da montanha, suas mãos contorceram-se, e ele bateu com elas na parede, tentando em movimentos sem sentido aliviar uma dor que o rasgava por dentro. Com o impacto, seus dedos quebraram, balançando moles de um lado para o outro enquanto ele tremia. Do espaço entre seus dedos e suas mãos, um corte profundo se abriu, rasgando sua carne, e músculo moído e sangue começou a ser expelido com força por ele. Uma camada grossa e curva de osso despontou por cima dos seus dedos, partindo do meio deles, rasgando carne e raspando por sua unha, esfarelando-a e ocupando seu lugar com garras. Sua pele parecia inverter-se ao avesso enquanto as veias inchavam tanto que a rasgava, algumas veias chegando a estourar. Por baixo da pele rasgada, uma densa camada de músculo duro ondulava, expelindo grossos pelos avermelhados, da cor de seu cabelo. O garoto sentiu um aperto extremamente forte em seu peito, como se algo abrisse caminho entre suas costelas. Levou as mãos até ele, rasgando com as grandes unhas a própria pele e carne. Acompanhando o mesmo processo da mão, músculos grossos surgiam por baixo da pele, unindo fibras e apertando seus ossos em posições dolorosas enquanto uma pelugem molhada de sangue tomava conta dos cortes. Tentou gritar, mas apenas escapou ar por sua boca quando as fibras de músculo apertaram suas costelas com força, alocando-as em novas posições. Seu quadril retorceu-se, rasgando a base de suas costas com extensões ósseas que logo eram cobertas por músculos, carne e pelos. Ehu olhou para baixo antes de cair no chão, seus pés perderam toda e qualquer força, tornando-se pedaços moles de carne com ossos lascados. Rapidamente, as fibras musculares escorregaram por dentro das pernas de Ehu, e ele as sentiu apertando firme em volta dos ossos quebrados, juntando-os e selando-os muito mais forte do que antes. Elas apertavam-nos em posições novas, completamente grotescas. Os dedos de seu pé separavam-se, alongando-se enquanto a camada óssea de garra cobria-os.  Seu calcanhar então quebrou grotescamente, e Ehu gritou, levando as garras até o rosto, que ondulava por baixo da pele rasgando. Seu pé então girou, e em uma sequência agoniante de cracks, estava em um formato completamente animalesco, como a pata traseira de um lobo. Suavemente, a pelugem ruiva abriu espaço entre a camada pálida e grossa de pele que recobria os pés. Então mais um grito terrível quando a mandíbula de Ehu deslocou-se, e ele tentou segurá-la com as mãos deformadas, mas tudo o que conseguia fazer era arranhar o próprio rosto com as garras. Vomitou um sangue espesso e escuro enquanto seus globos oculares giravam, enlouquecidos, estourando pela base e expelindo sangue grosso pela pupila. Ehu fechou os olhos com força, e em um solavanco, sua mandíbula lascou, junto dos ossos de sua face, e as fibras musculares espalharam-se pela sua face amassada e ensanguentada, ondulando por baixo da pele enquanto reorganizava a estrutura óssea do garoto. Seus cabelos caíram a sua volta enquanto as fibras passavam pelo seu couro cabeludo, amassando seu próprio crânio em um novo formato. O ruivo então sacudiu a cabeça, e a mandíbula encaixou-se novamente, agora em um formato de focinho longo de lobo, coberto pela pelugem ruiva. Seu nariz, reforçado por uma camada de couro, puxou o ar com força quando a pele do rosto deu espaço aos pelos. Abriu os olhos, e carne fétida e moída escorregou pela sua face, revelando pares de olhos mudados, com a característica íris castanha do garoto brilhando em um tom amarelo fantasmagórico.
Ehu levantou-se lentamente, sentindo os músculos das costas retesarem com o movimento dos ombros. Estava pesado, maior. Não podia ficar ereto ou bateria a cabeça no teto da caverna. Seu corpo quase inteiro estava coberto por longos e grossos pelos ruivos, revelando nos raros espaços não cobertos nada além de uma pele grossa e musculosa. Olhou por cima do ombro, lentamente, em direção ao lobo gigante, que se afastou para o lado suavemente. Atrás dele, outros como Ehu se erguiam, pacientes diante do líder de sua alcateia. Haka estava na frente, com longos pelos amarelados e um formato de corpo mais esguio, com uma leve elevação no peitoral da entonação dos seios. Todas vítimas dos ataques durante o mês estavam ali, transformados em máquinas de guerra, caça e devastação, pacientemente observando Ehu por baixo das densas camadas de pelo.
O primeiro transformado então caminhou até as portas de pedras, e em um rugido, empurrou-as com as mãos. A pedra soprou um ar velho e empoeirado na noite fria quando ruiu facilmente, despedaçando-se pelo chão. Ehu caminhou para fora da caverna, erguendo-se ereto, mais alto do que todos os outros transformados. O garoto olhou de lado para o lobo gigante, que piscou os olhos em saudação.
- Vá, licantropo.

Quando Ehu e sua alcateia passaram pela tribo, ela já estava vazia e desmunida de lanças e clavas. Os domadores de fera já haviam partido há algum tempo para conter o avanço dos eternos dentro do vale, onde seus números não significariam tanto. Ehu olhou em volta, caminhando pesado pelo chão coberto por neve, e ouviu um barulho vindo da tenda do seu pai. Cerrou os olhos em direção a entrada, onde o chefe a tribo observava o filho, com o rosto completamente atônito.
Ehu quis gritar com ele. Como poderia ficar quando seu povo estava lá, lutando para morrer? Mas tudo o que conseguiu fazer foi rosnar, e logo foi acompanhado de seus três companheiros. Nohouka recuou dentro da tenda por algum instante, saindo logo depois com uma longa lança de caça.
- Você me desaponta, Ehu. – O chefe da tribo dos domadores de fera cuspiu no chão, levantando a cabeça para encarar o lobisomem diante de si, aproximando-se. Ehu parou na frente de seu pai, com o dobro de sua altura. O vento frio soprou seus pelos avermelhados quando ele levantou o rosto para o alto, e então, uivou, sendo acompanhado dos outros.
Por mais que seu pai lhe desse nojo, mata-lo causaria a impressão errada na tribo, e Ehu ainda tinha esperanças de mostrar o valor da maldição do lobo salvando-a. Era mais do que apenas ele agora, havia mais três que ele precisava tomar conta. Deu às costas ao pai e começou a correr em direção ao vale, sendo seguido logo após pela sua alcateia. Quanto mais corria, mais impelido sentia-se a inclinar-se no chão, senti-lo com suas mãos e garras, e quanto mais rápido ia, mais assim o fazia, até que começou a trotar em quatro patas, rasgando o vento da noite em uma velocidade que jamais Ehu imaginara ser possível. Nem mesmo quando assistia os lobos domados caçarem, eles corriam com tamanha liberdade e selvageria. Talvez, no fim, a beleza do lobo esteja em sua liberdade.
Logo sua alcateia alcançou seu trote, correndo ao seu lado pelos prados da tundra. Sentia o cheiro distante e salino do mar frio além das cordilheiras, e lembrou-se de que a última vez que sentira era apenas uma criança. Ouvia o som dos pequenos insetos voando pelas correntezas de ar acima dele, ouvia tão claramente que podia quase ver as translúcidas asas deles soprando no vento. E então, finalmente, ouviu o som de guerra e sentiu o cheiro de sangue.
Escalou pela lateral do vale com mais velocidade do que jamais tivera em sua vida, saltando com pulos longos entre uma pedra e outra e pegando impulso com as garras. Quando alcançou o topo e olhou para baixo, enxergava tão claramente que podia distinguir os rostos impassíveis dos domadores de feras, cercados pelos eternos. Parece que eles haviam dado a volta no vale, já prevendo o avanço dos domadores, e conseguiram pegá-los em uma emboscada pela retaguarda.
Foi a primeira vez que Ehu viu os eternos. E isso o chocou mais do que ele esperava.
Maior parte deles era dolorosamente familiar, sendo os antigos membros das outras tribos que caíram. Até os chefes de cada tribo estavam presentes ali, arrancando braços e expondo vísceras com as mãos nuas com facilidade. Seus olhos, duas esferas de pura tempestade escarlate, brilhando no escuro da noite como faróis diante da visão melhorada de Ehu. Suas peles estavam pálidas, lisas, desprovidas de qualquer sensação de textura, e seus cabelos sacudiam ralos no ar, ondulando com a brisa e o movimento rápido de seus corpos. Uma visão angelical, se não por seus rostos cobertos por sangue que escorria de suas bocas escurecidas.
No alto de uma rocha que cortava o vale, estava um único eterno, de pé, observando a aniquilação. Uma lufada suave de vento soprou seus longos cabelos tão loiros que podiam muito bem ser confundidos com branco. Ele usava uma roupa diferente de todos, não uma habitual pele de lobo, mas um tecido completamente negro e diferente, endurecido na parte dos ombros, e suave como cortinas quando se espalhava pelo seu corpo. Quando virou, Ehu viu em seu peito, pulsando em um colar, uma pedra que brilhava como uma estrela vermelha, pulsando.
O líder da alcateia olhou nos rostos de seus companheiros, que responderam com acenos suaves, e então, juntos, os lobisomens mergulharam, saltando entre as rochas, no calor da batalha.
Os eternos jamais poderiam prever algo assim, ter a retaguarda desfeita rapidamente por ataques ferozes de bestas que podiam enfrenta-los frente a frente, de igual para igual. Ehu saltou sob um eterno, cortando com a garra através de suas defesas, carne, músculos e ossos. A força do golpe jogou o corpo desmembrado do eterno ao chão, e Ehu compreendeu o seu próprio poder. Uivou profundamente, e sua alcateia avançou com força, aproveitando do breve momento em que os eternos estavam desorientados pelo ataque surpresa. Cortaram, fatiaram e abriram caminho entre eles. Um pulou nas costas de Haka, cravando seus dedos com tanta força em seus ombros que eles penetraram através da carne e dos músculos. A lobisomem rugiu de dor, e outro eterno correu em sua direção, socando com força em seu peito. Ehu pôde ouvir de onde estava o som de ossos se rompendo. Correu em ajuda à sua companheira, junto de outro lobisomem. O eterno nas costas de Haka foi violentamente arrancado por garras grandes, que levantaram ele no ar e, com alguns instantes de esforço, separou seu corpo em dois, derramando vísceras e sangue escuro pelo chão. Ehu alcançou o eterno que socara Haka, chamando sua atenção enquanto a lobisomem escorregava até o chão.
- Ele criou vocês, não foi, demônios? Para tentar nos parar? Vocês são tão marionetes dele quanto um dia fomos. – O eterno falou, erguendo uma lança do chão.
Ehu rosnou, trotando em direção ao eterno. A criatura pálida aguardou, e então, em um reflexo tão rápido que se tornou um vulto, ele desviou para o lado, espetando a lança pelo abdome de Ehu. O osso frio da lança perfurou através da pele e carne de Ehu, mas quando entrou em contato com os músculos endurecidos, foi parado, fincando-se ali. A adrenalina ajudou Ehu a ignorar a dor o máximo que pôde, recuando um pouco diante do eterno, que não havia perdido a compostura. A criatura virou-se de frente para Ehu, flexionando as mãos em forma de garra, com um sorriso tênue no rosto. O grande lobisomem rosnou, puxando com a mão a lança cravada no abdome. O sangue escorreu, contornando os pelos e pingou no chão.
- Somos mais rá... – Antes que pudesse terminar de falar, uma longa garra negra perfurou através da sua cabeça, saindo por dentro de sua boca e deslocando seu maxilar. Seus olhos arregalaram por um instante, e mais duas unhas curvas saíram do peito do eterno, espalhando sangue pelo chão, e então elas recuaram, e a criatura caiu no chão, com os olhos escarlates apagando aos poucos. Haka estava de joelhos atrás dele, mantendo-se de pé com o pouco de força restante. Suas costelas haviam quebrado e perfurado seus pulmões, Ehu conseguia ouvir o arfar dela chiando, e sua respiração úmida com o cheiro de sangue. Então a lobisomem caiu para o lado, puxando o ar cada vez mais fraca, com os olhos vidrados em Ehu, que se aproximava.
E então, a respiração parou. Ehu olhou em volta, já conseguia ver, não muito longe, as lanças e cabeças dos domadores de feras. Com os eternos sendo atacados por trás pela sua alcateia, e pelo outro lado pelos domadores, logo a batalha acabaria. Mas o custo, o preço. Ver um domador de fera ser derrubado e morto por um eterno não parecia incomodar tanto Ehu, mas ter visto Haka, que ele nunca fora próximo antes da transformação, morrer daquela forma.... Talvez ele tenha deixado de ser um domador de feras, e passado a ser uma fera.
Um uivo desajeitado, e Ehu olhou para cima, em direção à rocha que o estranho eterno de cabelos claros estava. A criatura desviava facilmente das investidas de um lobisomem, e então, antes que Ehu pudesse reagir, o eterno avançou, cravando a mão tão fundo no lobisomem, que o ruivo conseguiu vê-la sair pelas costas dele. A ira tomou conta de Ehu, que trotou pelo campo de batalha, empurrando tudo e todos no caminho. Saltou em uma pedra, cravando as garras fundo, e pegou impulso, alcançando a plataforma do eterno. O estranho homem reagiu com um grunhido, empurrando o corpo desfalecido do lobisomem pedra abaixo. Ele olhou nos olhos de Ehu, e pela primeira vez desde a transformação, Ehu sentiu o toque frio da realidade. Angústia.
- Antes de partir, Mulaprakriti deixou claro que iria pôr um fim ao meu reinado. Sinceramente, eu esperava mais da entidade. – O homem falou, aproximando-se de Ehu. – A essa hora, meu segundo batalhão já deveria ter chegado, o que me leva a crer que a criatura resolveu cuidar dele inteiro sozinha. Isolar para conquistar. Você entende seu papel nisso, não? Está aqui apenas para me distrair. Ele jamais esperaria que vocês tivessem ido longe. Creio que ficará desapontado ao ver que ainda não está morto, garoto. – O primeiro dos vampiros parou, frente a frente com o primeiro dos lobisomens. Seus olhos enfrentaram-se, apesar da diferença da altura de Ehu para Lithüm. – Você tem dentes, cachorro? Me mostre.
Ehu rosnou, avançando com as garras contra Lithüm. O vampiro avançou com a mesma intensidade, e as mãos de ambos se encontraram. As garras de Lithüm afundando na pele dura de Ehu, e as longas e afiadas lâminas do lobisomem fatiando por cima, rasgando os braços do vampiro. Os dois forçavam-se um contra o outro, empurrando-se com toda força que podiam reunir. Os olhos de Lithüm brilhavam como brasa, vomitando aquela luz vil, completamente sincronizada com a pedra no colar dele. Os pés de ambos afundavam na pedra, que começou a rachar e ceder. Abaixo deles, os últimos vampiros da tropa recuavam, abrindo caminho entre os domadores de feras restantes. No fim, uma única lobisomem, com o braço quebrado e bastante ferida, ficara ao chão, cercado pelos humanos confusos sobre o que fazer. Entre eles, Fardh olhava para cima, observando o garoto que ele vira crescer transformado em uma fera, lutando contra o mais poderoso dos eternos.
Ehu normalmente teria a vantagem de força contra um vampiro, mas Lithüm era diferente. Todo seu sangue parecia incendiar-se em poder puro, tomado pela energia volátil da pedra escarlate. O rosto do eterno não demonstrava esforço algum enquanto resistia à toda ira do lobisomem vermelho. E então, uma suave ruga no rosto do vampiro. Ehu sorriu por dentro, ciente de que o vampiro estava se esforçando para não demonstrar a força.
Então, o chão finalmente cedeu, e a pedra afundou um pouco, desabando pedregulhos vale abaixo. Aproveitando o desequilíbrio momentâneo de Ehu, Lithüm avançou, desvencilhando-se dos braços do lobisomem. Ele avançou rápido e ferozmente, enfiando os dedos fundo pelas costelas e ombro de Ehu, e começou a correr, empurrando o licantropo com tanta força e velocidade, que fora capaz de erguer o grande corpo dele do chão. Em instantes, cobriu toda a extensão da pedra, chocando-se com Ehu na parede do vale. O lobisomem grunhiu quando as pedras lascaram no impacto, e o ar escapou dos seus pulmões. Debaixo, os humanos viam atônitos a batalha de titãs. O empurrão de Lithüm não passara de um vulto aos olhos deles. Eles jamais teriam visto o que realmente acontecera ali.
No tempo entre o empurrão e o impacto com a pedra, Ehu conseguira colocar as garras entre ele e Lithüm.
Três de suas longas unhas atravessavam o corpo do vampiro, derramando seu espesso sangue negro por suas costas. Ehu, levantou o vampiro com dificuldade, ciente de que havia quebrado algumas costelas no impacto. Lithüm rugiu, suspenso no ar pelas afiadas garras do lobisomem.
- ELE NÃO IRÁ VENCER! – Lithüm então agarrou a mão de Ehu com força, enfiando os dedos através de músculos e tendões. O golpe foi tão fundo que Lithüm conseguiu sentir os ossos do lobisomem. E então, com a outra mão, ele rompeu as garras do ruivo. O lobisomem uivou alto, segurando a mão inutilizada. Três garras partidas e o punho mole, unido ao corpo apenas por tendões. O vampiro caiu no chão do outro lado, com um sorriso sádico.
- Isso é maior do que você, lobo. – O vampiro tossiu sangue, com a cabeça apoiada em uma rocha partida. O colar escorregara de seu peito e enroscava-se em uma rocha ao seu lado, com a luz escarlate da pedra brilhando ainda forte. Os cortes na barriga do vampiro espalhavam suas vísceras e sangue pelo chão úmido. Ehu ergueu-se, ereto, segurando sua mão despedaçada. O grande lobo piscou os olhos dourados, e então deu as costas para o vampiro, descendo da pedra. – Onde você está indo? Termine isso! Termine o que começou!
Ehu deixara o vampiro à mercê do inverno e do deus que nem sequer existe. Deixara nas mãos do destino a vida de um ser que viveu além do que o destino prometera a ele mesmo. Os lobisomens não seriam marionetes da entropia. Seriam orgulhosos sobreviventes que, de repente, se viram injustiçados no meio de uma guerra que não pertenciam a eles. Já sofreram com os efeitos colaterais das decisões erradas de outras pessoas por tempo demais. Ehu aproximou-se devagar da sua companheira ao chão, ferida. Ela respondeu seu olhar com uma feição taciturna, mas aconchegante.
O primeiro dos lobisomens olhou nos olhos dos humanos ali presentes. Estranhamente, não havia ira restante dentro de si. Não havia vontade de atacar, sede de sangue e carne. O que ele lutou contra durante todo esse tempo que teve que aturar a maldição, não existia ali, no clima matinal dos primeiros raios de sol. Ehu ergueu o rosto para o alto, sentindo o calor tomar o vale lentamente. Ele então entendeu. Toda a noite, ele lutará contra o uivo da fera interior. Mas quando a manhã chegar, haverá tranquilidade, e talvez, no fim disso tudo, não seja tão ruim. Ele sorriu quando os pelos vermelhos acenderam com os raios de sol, brilhando dourados no reflexo da luz. Fardh observava-o ao longe, aproximando-se com cautela. Uma lufada de vento, e os pelos ruivos espalharam-se pelo ar, em uma nuvem que se assemelhava às labaredas das piras noturnas de sua antiga tribo. E no fundo, Ehu sabia que não voltaria a vê-la, por isso permitiu-se sentir aquele momento, aquela despedida nostálgica. Os pelos ruivos espalharam-se no ar, e, por trás da tempestade daquela tempestade de brasa tocada pelo sol, o jovem filho do chefe da tribo permanecia de pé, nu e lentamente voltando às feições humanas.
Antes que Fardh chegasse mais perto, Ehu abaixou-se, e com um pouco de dificuldade devido a mão quebrada, levantou a sua companheira nos braços, agora também em forma humana. Não olhou para trás, apenas caminhou em direção à saída do vale, contrária à onde uma vez fora seu lar.


Depois que toda comoção no vale acabou e todos seguiram seu caminho, sons de passos rápidos de patas de um lobo ecoaram pelo vale, um som macio e confortável. Mas não para Lithüm, que respirou fundo quando o lobo negro parou ao seu lado, olhando-o. O primeiro dos vampiros respondeu ao olhar.
- É assim que acaba? – Perguntou ao lobo de olhos escarlates, que lentamente mudou de forma, elevando-se em uma alta sombra encapuzada, de mantos tão escuros quanto a noite. Dois olhos vermelhos brilhavam por baixo do capuz, e a resposta soou seca e profunda.
- Não. Isso é um começo. – A entidade agachou-se, tocando suavemente com o dedo na pedra vermelha. – Não existem fins. – Ele recuou o dedo quando uma fumaça espessa e escura começou a sair de sua mão. Então, com sutileza, ergueu a pedra segurando-a pela corrente do colar.
A entidade caminhou até a borda da plataforma, e ergueu a pedra escarlate, que acendeu como uma estrela. Correntezas de pura energia vermelha fluiu dos corpos dos vampiros mortos, ondulando no ar frio, sendo sugados pela pedra escarlate que iluminava o vale com sua luz fantasmagórica. A pedra sibilava, alimentando-se das energias profanas que escaparam dela enquanto em posse das mãos desajeitadas de alguém incapaz de compreender a profundidade do seu poder. Quando acabou, a entidade olhou para Lithüm por cima do ombro.
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Re: Lobisomens e o uivo da besta interior

Mensagem por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 9:00 pm


e então?

Lithüm sobrevivera a drenagem de Mulaprakriti, conseguindo escapar do inóspito norte e viria a viver por muitos milênios ainda. Quanto a Ehu e sua companheira lobisomem, eles fugiram, banidos das terras humanas, para as florestas tropicais de terras mais ao sul do mundo. Ehu pode não ter trazido o verão, mas ele salvara seu povo e encontrara um verão para si e para sua alcateia. Apaixonados, os dois tiveram quatro filhos ao longo da vida, e lentamente, a linhagem dos lobisomens começara, tanto através da reprodução quanto da maldição sendo passada adiante, visto a necessidade que eles possuíam de caçar e mergulhar na selvageria, extravasando a ira que os corroía por dentro.
Viriam passar a viver reclusos da sociedade humana por muito tempo, com raras aparições e alguns arriscados ataques em cidades maiores, dando início a lenda dos lobisomens. Muitas alcateias diferentes espalharam-se pelo mundo, diferentes clãs com diferentes filosofias, crenças e regras. Foi apenas no Declínio que eles viriam a se unir, formando a aliança do reino de Edelweiss. Cada clã ficara responsável por uma cidade-estado, tendo seu próprio sistema de leis e governo, mas todos ligados entre si através da aliança comercial e política. Todos respondem, no fim, ao rei das alcateias, Mikain Volkers, descendente da linhagem de Ehu. A variedade filosófica de uma cidade-estado para outra é, às vezes, um problema interno no reino, podendo gerar algumas discordâncias e intrigas, como uma cidade-estado governada e idealizada por mulheres, algo que nos governos mais machistas, é visto com um insulto.
Apesar de todas as desavenças, o reino de Edelweiss é uma terra de maravilhas exuberantes, com o terreno repartido e marcado pelas cicatrizes do declínio, cortado por várias partes por rios e fiordes frios. É uma terra primordial, de natureza que desperta o chamado do selvagem. Você consegue ouvi-lo?
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Re: Lobisomens e o uivo da besta interior

Mensagem por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 9:10 pm


peculiaridades

I. A maldição das duas faces
Como muitos licantropos aprendem quando ainda criança, em tempos de um mundo antigo, o primeiro grande lobisomem sofreu durante muitas luas, sentindo fundo em sua carne, inúmeras vezes, a dor da maldição, para que hoje os licantropos não precisem mais ser pegos de surpresa: a transformação está em seu quase total controle. É possível para um licantropo se transformar quando deseja, apesar de que todo o processo costuma demorar por volta de meia hora, colocando-o em uma posição extremamente vulnerável, fazendo com que os licantropos prefiram se transformar bem antes de uma batalha, afinal, não seria difícil para um agressor enfiar uma adaga nas costas deles enquanto agonizam no chão. Uma vez que o licantropo passe pelo excruciante processo de quebrar cada osso do seu corpo com a força de seus músculos inchando, endurecendo e estendendo-se em novas fibras, de sua carne estourando enquanto seu corpo inteiro queima em febre e sua mandíbula se despedaça, seu corpo irá regenerar-se em uma nova forma, aumentando seu tamanho, massa muscular, e consequentemente sua força e agilidade para proporções sobrenaturais. Um único soco de um licantropo transformado em um humano completamente armadurado irá afundar o aço contra o peito da pobre vítima, que será lançada metros na direção contrária, até parar dolorosamente no chão, com ao menos uma porção de suas costelas quebradas e uma necessidade literalmente fatal de se livrar do ferro amassado. Essa força máxima é diminuída uma vez que o licantropo não esteja transformado, ou totalmente transformado, mas ainda será potente o suficiente para desabilitar a armadura e danificar seriamente o estado de vida de seu oponente. E é claro, a beleza de um lobo é sua liberdade, e a capacidade de um licantropo de jogar-se sob suas quatro patas e cortar o vento, atravessando campos inteiros com a velocidade de uma flecha, é uma habilidade admirada e temida por muitos. Mas isso é devido à sua força sobrenatural, a agilidade em si é severamente danificada em lobisomens inexperientes, uma vez que é necessário se acostumar com seu peso triplicado. Quando o licantropo conseguir mestrar suas habilidades selvagens, ele demonstrará uma agilidade e reações à estímulos melhorados, uma vez que os instintos são sua melhor arma, mas ainda assim, seu peso aumentado é ótimo apenas para sua força, e sua velocidade em combate pode ser um problema.

II. A meia-transformação
É possível para um lobisomem, em situações de risco imprevisível em que ele não se transformou previamente, transformar apenas parte do seu corpo. Será uma forma dolorosa e extremamente desconfortável, uma vez que o licantropo sentirá a fera em seu interior lutando através de sua carne para concluir a transformação, e terá que domá-la para não pôr em risco sua vida – ou de outra pessoa – com a transformação completa. Naturalmente, um lobisomem inexperiente falhará em controlar essa forma por muito tempo, transformando-se completamente e passando pelo processo de trinta minutos de dor e vulnerabilidade. Já um licantropo que aprendeu a controlar sua fera interior, terá certa facilidade em transformar apenas parte de seu corpo, elevando sua massa muscular e assumindo uma forma semi-lupina, com pelos espalhados pela lateral do rosto, membros e peito, garras afiadas, pés transformados em patas e um semi-focinho com todos os dentes já transformados em presas mortíferas. Mas é uma forma que empalidece diante da beleza de um licantropo absoluto. Sua força será aumentada, mas ainda não chegará aos pés da forma final, e graças a estrutura do corpo ainda mal adaptada, será impossível correr em quatro patas sem cair de rosto na terra. Essa forma é reversível sem a necessidade de completar a transformação.

III. O Espírito da Caça
Além da forma absoluta e da forma de meia-transformação, o licantropo pode assumir a forma da caça, desenvolvida nos últimos milênios por uma alcateia de devotos ao deus da caça, Faünir. Após uma constante pesquisa sobre como a Lua Vermelha afeta a forma lupina, o líder da alcateia, Godrin, conseguiu alcançar uma forma reversa da meia-transformação. Em uma noite chuvosa, com a Lua Vermelha incandescente no céu, toda a alcateia caída ao chão, contorcendo-se na dor lancinante da forma incontrolável do lobo sangrento. Foi quando Godrin, em um súbito momento de clareza, antes de ter sua mente tomada pelo descontrole, percebeu que o processo de transformação era diferente. A forma de sangue possuía características muito mais próximas aos lobos que caçavam pela floresta em volta da clareira em que estavam. Ele compreendeu, e uma vez que despertaram na manhã seguinte, os sacerdotes de Faünir viram, no alto de uma rocha, um grande lobo dourado, da cor dos cabelos de Godrin, com olhos serenos, à uivar suavemente em direção ao sol.
A forma de caça é uma transformação total em lobo, possuindo, é claro, traços ainda humanos. A forma de caça possui uma pelugem rala, revelando o peitoral, a barriga e o fim das patas como pele nua e endurecida. Os olhos, brilhantes em tons de dourado, costumam destacar um lobisomem em forma de caça, mesmo no meio de lobos, e sua altura aumentada, possuindo o dobro do tamanho de um lobo adulto, também. É comum que essa forma seja usada para viagens longas, uma vez que a velocidade é ainda superior à da forma absoluta de lobisomem, mas é totalmente inapta à combate, uma vez que o licantropo fica preso em quatro patas. Também é uma forma comumente usada por caçadores ou rastreadores. Essa forma foi ensinada e difundida por toda sociedade licantropa, tornando-se comum entre os lobisomens. A transformação costuma durar em volta de quarenta minutos, uma vez que a reestruturação é mais complexa que qualquer outra forma, mas isso não é um problema, pois a velocidade e os sentidos absolutamente aumentados dessa forma permite que o lobisomem localize sua presa mesmo com dias de desvantagem. É uma forma extremamente útil para muitas funções, com exceção de combates.

IV. A Lua Sangrenta
Todo mês, na última noite do seu último dia, a Lua, agora mais próxima da Terra, é parcialmente coberta pelas sombras da mesma. Nessa hora, algo de diferente acontece no organismo daqueles amaldiçoados pela forma do licantropo. Quando a Lua brilha alta no céu, queimando com tentáculos de luz vermelha que dão à noite tons de sangue, todo o genoma sombrio presente no DNA do licantropo ativa, e os resquícios da Entropia vem à tona, transformando até os lobisomens mais experientes em bestas selvagens. Seus olhos, antes em tons de dourado, explodem em flashes de luz vermelha, transformando suas órbitas em faróis de luz sombria. Seus pelos, alongados e endurecidos, formam uma armadura natural por cima de seus músculos duas vezes mais fortes do que em sua melhor forma absoluta. A agilidade, compensada. Os instintos alcançando níveis sobrenaturais... E o preço é o descontrole total. Nessa época do mês, todos os licantropos se trancam em seus porões ou em celas de confinamento público, onde são acorrentados com correntes grossas como árvores, e mantidos lá até que a Lua Vermelha desapareça do céu. Muitos podem pensar que Eldeweiss está vulnerável sem defesas nessa noite, mas estarão enganados, e todas as tentativas de bandidos e piratas de se aproveitarem desse momento foi frustrada de formas trágicas, uma vez que o mero cheiro de uma presa, ainda mais sapiente, mesmo à distâncias enormes, é o suficiente para uma descarga de adrenalina nos corpos dos lobisomens sangrentos, e talvez as correntes possam não resistir a força sobrenatural. Nessa época do mês, moradores que não são licantropos se isolam em montanhas ou florestas, em estabelecimentos criados pelo governo de Edelweiss para dar suporte e evitar vítimas, mas é impossível evitar ao menos alguns acidentes dos descuidados, e a manhã seguinte é repleta de notícias de pedaços de corpos encontrados por ruelas. Um lobisomem que não tome as providências para se selar será considerado um terrorista, e será devidamente punido caso encontrado – o que normalmente será.


V. Cidades-Estado
Edelweiss é um pouco diferente dos outros reinos no que se trata à organização dos poderes. Diferente de um único sistema central, o reino é dividido em diversas Cidades-Estados governadas por um chefe, jogador ou NPC (checar Sistema de Finanças para encontrar Cidades-Estados de jogadores). O chefe terá autonomia própria para criar suas leis e desenvolver a Cidade-Estado da forma que preferir, sendo assim, morais e pontos de vistas serão completamente diferentes, assim como mercados, lojas e habitantes. Apesar da autonomia, todas as Cidades-Estados respondem ao governo central, e caso alguma Cidade-Estado se recuse a seguir as Leis Naturais:


    1. Nenhuma lei poderá ser aprovada sem antes passar pela permissão do Rei das Alcateias, Mikain Volkers.
    2. Nenhuma lei poderá pôr em risco a integridade geral de Edelweiss.
    3. Nenhuma lei poderá incentivar o mal contra outra Cidade-Estado; os lobos andam juntos.
    4. Nenhum Chefe de Cidade-Estado será imune às suas próprias leis.
    5. Nenhuma lei poderá ultrapassar o limite das terras da Cidade-Estado.

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Re: Lobisomens e o uivo da besta interior

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