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Os bruxos, e o arcano.

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Re: Os bruxos, e o arcano.

Mensagem por Wings of Despair em Sab Fev 18, 2017 9:37 pm


– a história da magia

No último dia da primavera, um choro de uma criança recém-concedida ao mundo preencheu as ruas da cidade de Pompeia. Refletido nos olhos da mãe, o rosto surpreso da criança emanava uma certeza de que tudo vale a pena, no fim. Aninhado em seus braços, aquele bebê espantou toda e qualquer resquício de lembrança das dores do parto. Seu nome foi Cordus, que significa “Aquele que nasceu após o tempo”. Viveu sua infância na cidade de Pompeia, parte do Império Romano no ano 25 d.C. Uma cidade razoavelmente pequena, mas pacata e ótima de viver, cercada por um longo campo florestal. Do topo de sua casa, onde ele passava maior parte do tempo, podia enxergar tanto o infinito do mar quanto o grande monte Vesúvio, a gigantesca montanha que marcava a paisagem com um toque colossal. E isso também, não tão lentamente quanto Cordus desejava, tornou-se nada além de um resquício de lembrança feliz em sua mente quando alcançou a idade adulta e se mudou para a grande capital de Roma. Foi lá que conheceu o templo dos deuses e passou a servir de sacerdote no templo de Belona, a deusa da guerra. Silenciosamente observava a fé dos cidadãos de Roma reinar em suas vidas, sempre curioso sobre as maneiras a quais os deuses escolhiam para manifestar-se nas vidas humanas. E sobre os momentos em que eles escolhiam ficar parados.
– A guerra é uma arte para poucos, Cordus. – Uma vez disse Lúcio, um amigo seu da nobreza que as vezes visitava o templo.
– Está inquieto com as decisões de Roma novamente, Lúcio? – Perguntou enquanto acendia as velas no altar de Belona.
– O imperador não parece estar realmente focado em expandir os limites próprios e de Roma, companheiro.
Lúcio era um garoto incomum. Com apenas nove anos, tinha uma inteligência excepcional. Muitas vezes Cordus se pegava tendo conversas sobre filosofia e política com o garoto. O que, novamente e infelizmente, também não durou muito, como tudo na vida de Cordus. O tempo passou, e Cordus nunca realmente se sentiu nascido após o tempo, mas sim bem antes dele, em uma constante perseguição para manter o ritmo da vida. Isso o levou até a guerra, onde lutou por Roma e pela representação de Belona. E foi aí que ele finalmente alcançou o tempo. Em uma das expedições de sua tropa, Cordus e seus companheiros receberam uma coleção de cartas com instruções do próprio novo imperador de Roma, que havia assumido o trono havia apenas quatro anos.
– O que diz aí, Plíado? – Perguntou Cordus, enquanto amolava sua espada. Já fazia oito anos que servia à Roma em campo, e nunca havia se sentido tão satisfeito consigo mesmo. Sua vida no templo havia sido repetitiva e simplista. No campo de batalha ele tinha a liberdade para expressar o melhor de si, livre de limitações ou regras. Era apenas ele e a dança das espadas e do sangue voando, e ele amava isso. Talvez ele faça o que faz mais por si do que por Roma ou por alguma divindade.
– O imperador Nero começou uma guerra com a Armênia. Ele quer que marchemos contra o reino e forcemos a queda do novo rei deles, Tirídates I. – Plíado respondeu, coçando a barba loira e escassa. Seu elmo metálico estava depositado em cima da mesa de madeira, com as luzes bruxuleantes das velas refletidas na cor dourada dele. O cenho do general expressava a preocupação dentro de si.
– E isso nos dá mais um punhado de anos em serviço, não é mesmo? – Cordus sussurrou, guardando a espada na bainha em sua cinta e levantando-se em direção à uma bacia d’água.
– Sim, infelizmente sim. – O general suspirou, segurando o elmo com as mãos – Estou perdendo a infância do meu filho.
– Alguns males vem por um bem maior, general. –
Respondeu-lhe, mergulhando as mãos calosas na água. – Eu entendo que sinta falta de casa, mas falando por mim, já estava ficando preocupado sobre o que eu faria sem uma espada nas mãos.
Partiram na manhã seguinte. Plíado receoso, e Cordus ansioso para o combate. Mas ambos sabiam que marchavam para uma guerra ganha, uma vitória garantida sobre um povo incapaz de enfrentar o império romano. A primeira vila que atacariam deveria ser uma prova disso, e Cordus estava extremamente seguro disso. E foi quando tudo desabou para ele. Seu pelotão foi designado para acampar entre as rochas de um vale que servia de portões para uma vila no caminho da cidade de Saghmosavan. Nada parecia incomum além de uma tarefa tão redundante quanto servir de reforços para uma batalha ganha, e isso era o suficiente para incomodar Cordus. Era noite e nevava forte quando aconteceu. O céu acendeu vermelho com a luz das tendas em chamas. O fogo se espalhou rapidamente e ferozmente, consumindo o acampamento e os soldados antes que pudessem pegar suas armas. Os que conseguiram lutar, foram massacrados, incapazes de enxergar os adversários que se moviam tão rápidos que se confundiam com os vultos das sombras dos próprios guerreiros. O coração de Cordus batia forte enquanto ele apontava seu gládio para as sombras que se moviam a sua volta. Sentia-se cercado, mas não enxergava nada. Tudo estava confuso e seus inimigos corriam sem fazer som algum, nem mesmo suas botas espalhavam a neve ensanguentada no chão. Sabia que estava condenado. Ouviu um "crack" à sua direita. Saltou para a esquerda, pousando os dois pés em uma pedra e jogou-se com uma estocada em direção ao barulho. Acertou o vento e o vento o acertou de volta. Apagou. Não sonhou, apenas ouviu sons que se assemelhavam a garras raspando madeira, ou seria metal cortando tecido? Era fino e doía seus ouvidos, o que era bom, significava que estava vivo. Demorou um tempo até recobrar a consciência. Quando abriu os olhos, viu apenas o céu escuro e estrelado acima de si. Moveu os dedos lentamente, sentindo a grama molhada a sua volta. Parecia que a neve havia derretido há pouco tempo, mas quando chegou na Armênia, o inverno estava apenas começando. Cordus levantou-se com dificuldade, esfregando os olhos que se acostumavam com a luz de uma fogueira a sua frente. Estranhamente, não sentiu o calor.
– Pergunta difícil. – Soou uma voz vinda de trás da fogueira, lentamente tomando a forma de uma mulher encapuzada que encarava Cordus à medida que seus olhos se acostumavam.
– Quem é você? – O soldado murmurou, sentindo o mundo girar enquanto sentava-se.
– Já teve sua resposta.
– Isso não é uma resposta convincente. O que aconteceu? Como vim parar aqui? –
Cordus tentou ficar de pé, mas faltavam forças à suas pernas.
– Eu matei os invasores e salvei você dos destroços. – Ela respondeu, jogando gravetos nas chamas. Cordus quase riu daquilo.
– Você e que exército?
– O da luz, talvez. Quem dera... –
Respondeu, finalmente olhando-o nos olhos. A estranha mulher possuía um olho de cada cor, em um raro caso de heterocromia. Um de seus olhos reluzia as chamas em um tom de negro profundo, e o outro era opaco e vazio, de cor branca, mas ao mesmo tempo era vivaz. Seu rosto delicado tinha traços não-familiares para Cordus, jamais havia visto algum povo que carregasse aquelas características ou tom de pele tão claro, e muito menos reconhecia as inscrições desenhadas pelos dois braços inteiros dela, cobrindo até as pontas dos dedos, com vários símbolos e letras que jamais havia visto, com exceção do número XVIII e da letra A no punho de cada mão de unhas azuis.
– Quem é você?
A mulher sorriu.
– Muitos antes de você me chamaram de vários diferentes nomes. Já ligaram a mim diversos fenômenos do seu mundo. Já fui o espírito do feitiço, a esposa da sabedoria, eu sou a mágica de todas as religiões, sou o poder de Vishnu e Eros, sou o que flui na energia de Tum. Também já fui Atena, e hoje, caso assim considere, sou apenas Minerva ou até pode me chamar de Saturno. – Enquanto pronunciava cada palavra, Cordus sentia uma estranha vibração no ar, como um leve zumbido acompanhado do crepitar da fogueira. Havia algo sombrio naquela voz.
– Quer que eu acredite que você é uma deusa? Ou dois deuses em um? – Perguntou, finalmente conseguindo se pôr de pé.
– Se essa é a palavra que vocês insistem em usar para nós, sim. Já fui chamada de espírito e de entidade, mas se isso lhe mantém mais confortável, tudo bem para mim. Mas verá que com o tempo que passaremos juntos, me chamará de outro nome.
– Você e seu exército da luz vai me manter aqui? –
Cordus sorriu nervoso, sabia que havia algo de errado naquela mulher, mas não entendia o quê.
– Esse exército se foi há muito antes de você nascer. E não o manterei e muito menos ficará aqui – Respondeu-lhe, levantando-se com seu longo vestido negro. Mechas do seu cabelo escaparam do capuz. Algumas eram brancas como a neve e outras negras como a noite que sumia a medida que o sol nascia atrás de si. A luz fazia estranhas curvas em volta do seu corpo, como se atraída por ele.
– O que, então? – Cordus procurou com a mão o cabo da espada em sua cinta, mas estava vazia.
– Caminhe comigo, Cordus. – A misteriosa mulher sussurrou, começando a andar na direção contrária ao sol. Quando seu vestido soprou pela fogueira, as chamas despareceram. Elas nem se quer apagaram, apenas sumiram.
– Você emana uma aura estranha, sabe meu nome sem que eu tenha lhe dito – Começou o soldado, acompanhando a mulher – Está começando a me convencer de que você não é humana.
– Isso deve ser suficiente, então. – Ela respondeu, apontando com o queixo para frente. A terra desabou diante de si, criando um gigantesco penhasco que sobrevoava por cima de todo o Império Romano, todas as terras que pertence a Roma e todas as cidades subordinadas ao Imperador, juntas até o fim do horizonte, sendo consumidas por chamas gigantescas e assombradas pelos gritos de milhões de vidas.
– Pelos deuses, o que foi que você fez? – Cordus murmurou, caindo de joelhos no chão.
– Você já pensou por um instante que talvez o que você faça não seja pelo seu império nem pelos deuses, Cordus? Já considerou a possibilidade de ser por você mesmo? – A mulher perguntou, sentando na beira do penhasco.
– Isso não é real, é? –Cordus encarava o mundo ruindo, perplexo. Tentou apertar a grama entre seus dedos e a sentiu se dissolver como cinzas.
– Não é ainda. Roma irá queimar, não podemos evitar isso. Mas podemos fazer algo para impedir que o resto do mundo queime junto, Cordus. Sempre que lutou, sempre que desferiu um golpe com sua espada, mesmo que por si ou por qualquer outro motivo, você fortaleceu algo além de sua compreensão, algo que se alimenta do caos e da desordem. – Ela explicou enquanto todo o cenário em volta de Cordus se dissolveu, transformando-se no seu acampamento queimado. Seu corpo estava coberto por fuligem e haviam cicatrizes fechadas pelos seus braços e pernas, e nos rasgões de suas roupas. A nevasca havia parado de cair, mas o gelo ainda era fresco no chão e no frio do ar.
– Do que está falando? – Cordus finalmente acalmou-se, encarando a então entidade, que estava sentada em uma viga de madeira carbonizada.
– Há muito mais no universo do que você conhece, Cordus. Ao contrário do que a humanidade acreditou todo esse tempo que vocês estão aqui, não existem deuses ou espíritos criadores e santos cuidado de vocês e de seus interesses. O Cosmo é algo mais velho do que jamais serão capazes de calcular, e suas mentes dificilmente serão capazes de vislumbrar sua essência. – A mulher olhava atentamente para as estrelas enquanto explicava para o soldado. – É melhor se sentar.
– Se não é uma deusa, o que você é? – Cordus perguntou enquanto se sentava ao seu lado.
– Antes do universo físico existir, eu já existia, Cordus. Eu e a entropia que ameaça esse planeta. Então não me peça para dizer o que sou, eu existo antes dos termos e nenhum termo jamais será capaz de me definir.
– Podemos tentar. –
Cordus deu de ombros, fascinado.
– Podemos. – Ela sorriu. Conversaram por horas. Cordus descobriu coisas que nenhum ser humano jamais havia sequer pensado existir. Descobriu sobre mundos além desse, que existiu ou viria a existir. Aprendeu sobre a História humana e todo o caminho que ela já percorreu. Entendeu o máximo que a mente humana era capaz de entender sobre a essência do Cosmo, e o que ele descobriu mudou completamente sua forma de encarar a vida e a morte. Parabrahman, como ele viria a chama-la por ser o termo mais próximo de defini-la nas escrituras dos livros que ela forneceu, explicara a ele que antes do tempo começar a correr no universo físico, ela e outra essência primordial coexistiam em volta um do outro, o Mulaprakriti, ligados pelo Fohat, a essência elétrica cósmica – a energia que liga todas as coisas e dar a elas seu impulso à existência. Quando o Fohat colapsou os dois e colocou o universo físico em andamento, ambos se separaram em uma explosão, gerando o Akasha, o princípio original, uma força cósmica que lentamente gerou os outros quatro elementos – o Fogo, a Água, a Terra e o Ar –, dessa forma, ele é tudo o que existe e tudo o que existe veio dele, sendo a força que mantém o equilíbrio de todas as formas. Separados, mas ainda intimamente ligados, Parabrahman e Mulaprakriti assumiram funções nesse universo agora em movimento. O Mulaprakriti tornou-se a raiz de toda a matéria, e o Parabrahman, a raiz de toda consciência, e cada um gerou um reflexo na existência física. O primeiro usou o Fohat para gerar a energia negativa, a manifestação de energia escura que originaria a entropia, a tendência de todas as coisas à sua naturalidade caótica, enquanto Parabrahman originaria o oposto disso, trabalhando com o Fohat para criar a ordem, a tendência de todas as coisas de se atrair, não apenas manifestando-se através da gravidade ou das forças eletromagnéticas, mas também de maneiras transcendentes. No embate entre os dois, o que a humanidade um dia viria a chamar de Matéria Escura, nada mais é do que o resultado do choque entre os dois lados do Fohat, consumindo-se para gerar as órbitas de todos os sistemas do Cosmo, tendendo ao caos e a ordem simultaneamente, em um estado giratório de harmonia. Porém, Parabrahman explicou que com o tempo o Cosmo envelheceu e o distanciamento da matéria do Ponto de Colapso onde tudo começou estava enfraquecendo não só o Fohat, como também ambas as entidades cósmicas, que lentamente caiam em um estado de letargia e inconsciência. Em pouco tempo, Mulaprakriti e Parabrahman existiriam apenas como energia.  Era assim que deveria ser.
– Mas Mulaprakriti não quer a ordem, Cordus. Ele quer reinar com o caos, quer vencer nossa eterna luta pelo controle, por isso está se aproveitando da situação do Cosmo para criar caos. Não só em escalas universais, mas também no dia a dia de cada ser que vive no universo. Ele quer guerras e destruição, e para isso assume a forma que achar necessária, pois acredita que a verdadeira liberdade de todas as coisas adormece na independência do caos. Ele está por trás de Nero, o imperador romano, e eu não posso fazer nada contra ele sozinha. É por isso que o poupei, porque vi que você não luta por ninguém além de si, e agora eu peço, lute pela humanidade. Entre em comunhão comigo para que possamos enfrentar Mulaprakriti para que eu estabeleça a ordem no universo. – Parabrahman uma vez disse a ele enquanto estudava sobre o Prâna, o corpo vital e energia psíquica que mantém a matéria física funcionando, uma conexão direta do Fohat com o mundo físico.
– Eu ajudarei no que puder, mas que poder tem eu, um mero humano, contra uma entidade cósmica tão poderosa quanto Mulaprakriti?
– É o que veremos, venha comigo. –
Parabrahman chamou-o, andando em direção à praia. Juntos haviam viajado por quase todo o globo terrestre, buscando conhecimento. Cordus já havia perdido a noção do tempo na estrada. Quando chegaram na praia, havia um altar de pedra com escrituras antigas em volta dele, formando um pentagrama com um símbolo geométrico em cada ponta. Na ponta mais alta, que ia o mais distante possível, tocando a água do mar, não havia símbolo algum. Era onde deveria estar o símbolo do Akasha. Cordus não reconheceu o ritual, mesmo agora capaz de ler as escrituras.
– Coloque suas mãos na pedra, Cordus. Está na hora de despertar o seu Kundalini. – A entidade cósmica falou enquanto se posicionava onde deveria estar o símbolo do Akasha.
– Não achei nada nas escrituras sobre esse Kundalini, o que quer dizer com isso? – Perguntou enquanto colocava as mãos na pedra áspera. Estava quente ao toque.
– Existe um ponto do Prâna no seu corpo que se confunde com o Fohat, Cordus. Esse ponto é chamado de Kundalini, e está localizado na base de sua coluna. – Parabrahman explicou enquanto tirava uma estranha adaga negra de dentro do vestido. Quando a luz do pôr do sol reluziu na lâmina, ela acendeu pequenos pontos luminosos por toda sua superfície, se assemelhando ao céu noturno. – Quando o Fohat colapsou, a energia liberada foi tão intensa que gerou vários fragmentos físicos dele, espalhando-os pelo universo. Um deles caiu aqui na Terra há muito tempo, dizimando completamente grande parte da vida que havia aqui. Seres colossais, realmente. Você ficaria surpreso de vê-los.
– Consigo sentir o Fohat fluindo através desse objeto. O poder... é imenso. –
Cordus sentiu uma leve tontura enquanto Parabrahman caminhava em volta do pentagrama. Sempre que seus pés tocavam uma forma geométrica, ela assumia a forma do elemento que representava. Primeiro o círculo virou água, que se recusava a diluir-se na areia.
– Sim, Mulaprakriti faria de tudo para pôr as mãos nisso. Foi, em primeiro lugar, o que realmente nos trouxe até a Terra. Foi uma grande luta para encontrar antes dele. Sua raça havia tido posse do fragmento havia séculos, e ainda depois de perde-lo, a existência de tal objeto continuou assombrando as religiões ao longo da História. Seja com o nome de Lança do Destino, Raio de Zeus ou até de Santo Graal. Chame do que quiser. – A entidade cósmica continuou caminhando em volta do pentagrama. Enquanto explicava, pisou no triângulo, que acendeu em chamas, e também no quadrado, que virou pedra.
– Usaremos isso para vencer Mulaprakriti? – Cordus perguntou, tentando acompanhar Parabrahman com os olhos enquanto ela dava a volta por suas costas.
– Sim, esse será nosso único triunfo, Cordus. É a única coisa capaz de desfazer a consciência física de Mulaprakriti e entrega-lo a letargia da existência apenas como energia. – Ela completou o círculo, e quando pisou no lugar onde deveria haver o Akasha, o céu inteiro escureceu. Parecia nublado, mas não havia nuvens. Até o sol desvaneceu-se em sombras.
– Isso vai doer, Para? – O estudante questionou, apertando a rocha com força enquanto sentia um formigamento descer pela nuca.
– Sim. Eu sinto muito por isso, Cordus. – Sua voz mudou de tom, e ela começou a falar na língua antiga das escrituras. Uma linguagem tão primordial, dos primeiros povos que entraram em contato com o Fohat, que era capaz de invoca-lo. – Farkash or to largha prasteh pörhghi wi starê. – Ela sussurrou enquanto fazia uma última volta pelo pentagrama. Cordus traduziu mentalmente o que ouvia, “fardá-lo-ei a viver a verdadeira história que jamais será contada” – Kavae saramih k’oro nala p’kavae – “Verá monstros que ninguém mais irá ver.” – As tah morial stärh Prâna. – “E o pior deles será você. “
Com suas últimas palavras, a dormência nas costas de Cordus desceu até sua coluna. O sol acendeu no horizonte, como se levantasse do seu pôr em um novo nascer, agora em um tom verde. Então sentiu uma dor fina e excruciante tomar conta do seu corpo inteiro quando Parabrahman enfiou a adaga na base de sua coluna. A última coisa que ouviu foi ela dizer:
– Você será o primeiro da História, Cordus. Todos antes de você tentaram chegar a mim, mas eu escolhi você.
Dormiu por três dias e três noites, e quando abriu os olhos, enxergava um novo mundo. Dois mundos. Cordus tornou-se o primeiro mortal a ter conexão com o seu Kundalini, o primeiro ser humano capaz de invocar o Fohat à sua vontade através do uso consciente do seu Prâna, a forma psíquica que seu corpo projeta no mundo transcendental dos acontecimentos cósmicos. Ou assim imaginava. Enxergava os minuciosos detalhes dos poros nas folhas das plantas com apenas uma palavra antiga, e enxergava também os rastros mágicos do Fohat, que forrava como um véu astral, fluindo quase líquido por entre tudo o que compunha o mundo. Podia abrir as cortinas da noite diante de seus olhos e enxergar tão claramente quanto o dia falando apenas uma frase. Seus dedos se transformariam em vórtices de chamas se assim desejasse, e a própria terra recuariam com o som da sua voz. Cordus tinha o poder dos cinco elementos aos seus pés. Com os rituais e as palavras certas, se sentia invencível. Estudou durante anos junto a Parabrahman para torna-se um mestre como jamais haveria outra vez no uso das artes mágicas. Tornou-se íntimo do Fohat. E isso o levou até os portões de Roma mais uma vez. Acompanhado de Parabrahman, que durante todos esses anos fez o possível para impedir as guerras que Mulaprakriti tentara causar, incluindo novas tentativas de colocar Roma contra a Armênia.
Foi no ano de 64 d.C. que conseguiu finalmente uma audiência com o imperador Nero, apresentando-se como o único sobrevivente do ataque ao pelotão de reforços da invasão à Armênia. Nero quis vê-lo assim que soube seu nome, para estranheza de Cordus. Quando entrou na sala, nem todos os anos de treinamento nas artes mágicas havia o preparado para aquela visão.
– Lúcio? É você? – Cordus parou na porta do salão, encarando seu velho amigo de infância, agora crescido, com um peitoral dourado e uma capa vermelha, parado na varanda com vista para toda a cidade banhada pela luz da lua.
– Cordus, meu amigo sacerdote! Você envelheceu nesses anos, achei que nunca o veria novamente, mal pude acreditar quando ouvi seu nome. Venha, junte-se a mim. – O imperador fez sinal com a mão, ordenando que se aproximasse. – E a propósito, faria um grande bem se se dirigisse a mim como imperador Nero agora. Esse tempo inteiro fora o deixou desatualizado sobre as mudanças políticas aqui em Roma.
– Eu... Eu soube que um imperador chamado Nero havia assumido, mas jamais imaginaria que seria você. Você mudou de nome? – Cordus balançou a cabeça, aturdido enquanto caminhava em direção a varanda.
– Fui adotado pelo antigo imperador Cláudio, assumindo o nome de Cláudio Nero César Druso. Um nome poderoso que me levou até onde estou agora. – Sorriu para Cordus, olhando-o fundo nos olhos.  O aprendiz de Parabrahman logo notou os sinais de magia negra no rosto do imperador. É seguro usar os cinco elementos, pois eles estão na parte clara do Fohat. Porém, no momento em que se usa o Akasha para fazer um elemento distorcer o outro, gerando uma massa informe e distante dos fundamentos do Akasha, isso é magia negra, e foi estritamente proibido por Parabrahman, que explicou que todo feitiço possui um preço, e o preço a pagar pela magia negra é um débito mortal, um preço que consome os fundamentos do próprio Fohat e gera a energia negra que Mulaprakriti criou. O mal é refletido até no Kundalini do corpo do mortal que utiliza esse tipo de feitiço, trazendo alterações tão drásticas no seu Prâna que reflete na sua forma física através de enfermidades.
– Então, Nero, por mais que eu tenha uma grande consideração e respeito por você, eu não vim aqui para falar com você. – Cordus começou, colocando as mãos no bolso do seu sobretudo negro.
– Não veio, Cordus? O que quer dizer? – O imperador franziu o cenho, afastando-se.
– Eu me dirijo à entidade cósmica por trás. – Cordus puxou do bolso o fragmento do Fohat, levantando o mais alto que pôde enquanto proferia algumas palavras antigas. – Prâna demalst oronhm to kastiah, Mulaprakriti, la entropa!
Quando o feitiço de revelação foi proferido com o nome da entidade cósmica, o céu trovejou sem nenhuma nuvem, e um relâmpago iluminou a cidade. Nero arregalou os olhos, surpreendido, enquanto as sombras projetadas pelos objetos iluminados por velas se reuniram em volta do fragmento, circulando-o. Então Cordus lançou as sombras contra um pilar, que rachou com o impacto da informe aparição de Mulaprakriti, uma grande massa escura que reluzia explosões de flashes lilás que lentamente assumiu a forma de uma mulher de pele dourada, com olhos prateados e cabelos de fogo.
– O que está acontecendo aqui, Belona? – Nero questionou Mulaprakriti, que levantou-se com expressão impassível do solo.
– Anda brincando de papel de deuses, entropia? – Cordus ignorou o imperador, segurando o fragmento do Fohat com força. Seus olhos vibravam com a energia que fluía por seu corpo. Então a entidade respondeu-lhe com sua voz profunda, que vibrava fundo nos ossos de Cordus:
– Vi sua raça nascer, mortal, e vou vê-la morrer, quer você queira ou não. Não preciso mover um só dedo para isso, pois é da vossa natureza tender ao caos. Não é segredo que estão condenados a guerrear até o último pedaço de terra. Por que resistir à sua natureza? Por que não ser o que você nasceu para ser, ao em vez de seguir conselhos de uma entidade enferma e fraca, à beira da morte? Eu sou mais forte, Cordus. A guerra é forte. – Enquanto falava, a pele dourada da fachada de deusa lentamente tornava-se negra, escurecendo a medida que o fogo das velas apagava. E então, um sopro forte de ar tremeu o chão, e as velas voltaram a brilhar quando Parabrahman apareceu ao lado de Cordus:
– Suas mentiras apenas convencem os ímpios de coração, Mulaprakriti. Sua hora de partir chegou, e não importa o quão forte seja, você não tem poder para fugir do Fohat. Se tudo tende ao caos e a desordem, eu vou separar cada átomo que o forma fisicamente. – Parabrahman segurou a mão de Cordus que possuía o fragmento, que começou a brilhar como uma única grande estrela no céu distante. Foi quando Nero cometeu seu maior erro. Aproveitou a distração para sacar uma faca de seu gibão e cravá-la no abdome de Cordus. Com a dor, Cordus largou o fragmento do Fohat. Mulaprakriti viu sua oportunidade e avançou, estilhaçando sua pele de ouro negro e tornando-se uma massa informe que voava em direção ao fragmento de Fohat. Em resposta, Parabrahman colocou-se na frente do fragmento, cruzando os punhos na frente da testa com um rugido profundo, que trovoou nos céus. Uma grande onda de luz explodiu entre Parabrahman e Mulaprakriti, desintegrando os pilares em volta da sala e extinguindo completamente o fogo das velas, iluminando o lugar apenas com a luz fantasmagórica do feitiço. Nero recuou diante do impacto, caindo sentado enquanto Cordus ajoelhava-se, puxando a adaga ensanguentada do abdome.
– O que foi que você fez, Lúcio? Será que é tão cego? Ela não é Belona, é todo o caos do universo encarnado! Você... – Tossiu sangue. – Você deixou-se enganar-se e sentenciou o universo à desordem.
– Ela me avisou sobre falsos profetas, Cordus. Eu não esperava que você seria um deles... –
Nero começou, erguendo-se do chão e limpando a roupa, retomando sua compostura de imperador. – Mas também não esperava nada de ruim de muitas pessoas em que confiei. Aprendi a não confiar, companheiro. Seu deus é fraco, veja como recua passo por passo enquanto o meu o sobrepuja. – Nero abriu um sorriso sádico, quase enlouquecido. A luz do feitiço que se desvanecia bruxuleava no reflexo de seus olhos que lentamente tornavam-se inteiramente negros.
Cordus sussurrou um feitiço invocado do Akasha para acelerar o recrescimento do tecido de sua pele em volta do corte, mas não havia tempo para o ritual completo e apenas serviu para diminuir o tamanho do mesmo. Quando tentou levantar-se, Nero virou os olhos para ele, olhos esses que estavam completamente negros, demonstrando que um feitiço estava sendo conjurado.
– Alesrah maste kôr, Cordus. – Proferiu Nero, levantando a mão em direção à Cordus, que paralisou com uma dor excruciante por todo o seu corpo. Sua outra mão apertava a lâmina ensanguentada da adaga. O imperador estava controlando a corrente sanguínea de Cordus através da ligação entre o sangue de ambos.
– Mulaprakriti despertou seu Kundalini? – Cordus falou entre os dentes, resistindo a sensação de desmaio e tontura.
– Achou que era o primeiro, Cordus? Não. Eu sou o primeiro despertado da História! – E levantou a mão para o alto, erguendo o corpo de Cordus do solo, que rugia de dor. O feitiço de Parabrahman se desfez, mergulhando o recinto em sombras enquanto ela caia para trás e Mulaprakriti pousava no solo, tornando-se uma gigantesca sombra ereta de alguma criatura desumana. Seus olhos eram roxo e pareciam derramar-se pelo seu rosto, que absorvia o líquido espesso. Quando falou, sua boca abriu revelando mil pequenas galáxias girando dentro de si, que com cada palavra reluzia uma luz sombria:
– Você perdeu, Parabrahman. Olhe a ordem que você tanto preza torna-se uma utopia. Veja como eles ignoram uns aos outros e lutam apenas por si mesmos quando suas cidades queimam. – E apontou em direção a Roma, que de repente explodiu em chamas.
Nero virou-se em direção ao fogo, e a sombra nos seus olhos suavizaram enquanto ele via sua cidade queimar.
– NÃO! – Cordus rugiu, aproveitando-se da quebra de concentração de Nero e rompendo o feitiço. Quando alcançou o solo, agarrou o fragmento do Fohat e se atirou em direção à Mulaprakriti, enfiando-a em sua boca. – Eu o condeno a inconsciência, demônio! Mulaprakriti, a entropia cósmica, MORRA!
Quando a ponta atingiu as galáxias que dentro da entidade rodopiavam, uma grande explosão de sombras espalhou-se pelo palácio inteiro, apagando toda e qualquer luz nele acesa. O fragmento simplesmente atingiu o vento suave da noite, levemente aromado pelo cheiro das cinzas da cidade que queimava, um ar que trazia os gritos desesperados da cidade abaixo. Mulaprakriti havia se tornado nada além de energia. Sua consciência acabou. Nero rugiu de ódio, correndo em direção a Cordus, que desviou sua investida e segurou-lhe pelas costas, apertando seus cabelos.
– Nero, através do meu Prâna ligado ao seu... – E pôs Nero de joelhos, largando seus cabelos enquanto fazia um corte na palma da própria mão. Em seguida, passou a lâmina do fragmento na base da coluna do imperador, que se debatia enquanto o despertado o segurava. – Eu invoco o Akasha para alterar a forma de seu Kundalini enfermo – E encaixou o corte em sua mão com o corte nas costas de Nero. – Prâna la muh karsth... Prâna la nastre Kundalini... Prâna lo Fohat cariahe!
Uma onda de impacto saiu do toque de sua mão com o corpo do imperador, sacudindo as folhas das árvores no jardim do palácio. E então, grotescos tentáculos negros saíram do corte nas costas de Nero, agarrando a mão de Cordus.
– O que está fazendo? Este feitiço não existe! – Gritou Parabrahman, que lentamente colocava-se de pé, pálida e com os lábios secos.
– Se tudo vem do Akasha e tudo o Akasha compõe, então que o Akasha destroce o Kudalini deste Prâna mortal. – E puxou a mão coberta pelos tentáculos, retirando de dentro do imperador que agonizava uma esfera de energia pura, envolta nos tentáculos. Então, com mais uma sequência de feitiços incomuns, a esfera se desfez em pétalas de rosas mortas. Nero ria incessantemente, com os olhos arregalados.
– Ele está louco. Não resistiu a dor. – Sussurrou Cordus enquanto colocava-se de pé, olhando para Parabrahman. Ela não conseguia levantar-se. – Ei, não se esforce, precisa descansar.
– Você não devia ter feito isso, Cordus. O Fohat não deve ser usado dessa forma. O que foi que lhe disse sobre magia negra? –
Ela dirigiu a ele um olhar de horror. Cordus sorriu.
– Não é todo dia que um humano surpreende uma entidade cósmica. – E caminhou até ela, colocando a mão em seus ombros tatuados. – Sempre quis saber, para que são essas tatuagens?
– São todas as letras e símbolos que as espécies desse planeta já criou ou criará... Se sempre quis saber, era só ter perguntado. –
Sorriu para ele, aceitando o apoio dos seus braços para se pôr de pé.
– Sabe o que acho? Você não é apenas a ordem. Não busca apenas isso, Para. Eu acho que você ama a raça humana. – Sentiu o peso dela diminuir enquanto segurava-a nos braços. Roma queimava ao fundo, crepitando chamas enormes em direção ao céu noturno. Ela sorriu mais uma última vez.
– Passe adiante o conhecimento, Cordus. E jamais permita que um feitiço como o que usou essa noite se repita novamente. Crie regras, se preciso. Mantenha a ordem acima de tudo. Seja o guardião que o Cosmo precisa.
Dito isso, Parabrahman desvaneceu-se em pequenas centelhas de luz, que lentamente encontrou-se com as sombras no céu, como se retornasse ao estado de uniformidade com o Mulaprakriti. Cordus então, como raramente fazia, permitiu-se chorar. Deu um último olhar para Nero, que lentamente se arrastava em direção a sua lira caída na varanda, sorrindo. Deu um último olhar para Roma em chamas. E então partiu, levando consigo o fragmento de Fohat e todo o conhecimento que uma entidade cósmica poderia ter.
Ao longo dos anos, aqueles que retém esse conhecimento ficariam conhecidos como bruxos.
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Re: Os bruxos, e o arcano.

Mensagem por Wings of Despair em Sab Fev 18, 2017 9:47 pm


e então?

Depois de derrotar Nero, Cordus permaneceu como o único bruxo por muito tempo, até que, quando sua cidade foi consumida por uma erupção do monte Vesúvio que admirava quando criança, resolveu dar início a uma nova vida, ensinando as artes mágicas à pessoas que observou ao longe em busca de potencial. Assim deu-se início a primeira ordem de bruxos da História, que pendurou até o começo da Idade Média, onde foram dizimados pela Igreja Católica. O conhecimento quase se perdeu a medida que a bruxaria tornou-se algo clandestino e praticado secretamente. Um novo líder surgiu, Liam, que reuniu novamente os bruxos em uma sociedade secreta que evoluiu até os dias de hoje, sendo tremendamente mudada pelo Declínio, agora que não há mais necessidade de manter o segredo de sua existência. Os bruxos sobreviveram à idade média com dificuldade, sendo acolhidos por um povo que descobriram enquanto exploravam os recônditos da Irlanda, os Elfos. Com a ajuda deles, conseguiram ocultar-se em sua maioria nas redondezas de suas terras. Em troca, apenas tiveram que auxiliar os elfos com um feitiço que ocultasse suas cidades do mundo humano. Essa sociedade de bruxos sobreviventes adotou os antigos métodos e regras que Cordus criou, mas, por conta da perda de muitos livros durante a Idade das Trevas, a sociedade tinha como maior propósito recuperar o conhecimento perdido.
Após alguns anos vivendo em segurança com os elfos, os bruxos partiram em paz para buscar um lugar próprio para eles, e se assentaram espalhados pelas cidades da Europa, vivendo em segredo na sociedade moderna.
Até hoje, após o Declínio, quando a sociedade cresceu para tornar-se o reino próspero de Fries, eles buscam por parte do conhecimento perdido. Devido ao tempo e a reprodução, a necessidade do ritual de despertar do Kundalini deixou de ser necessário – uma grande sorte, visto que as escrituras foram perdidas em uma grande queima de livros na Idade Média. Desde o começo da Idade Moderna, os bruxos conseguiram manter uma população consistente devido a reprodução, pois o Kundalini das crianças que nasciam já estava desperto.
Hoje, os bruxos vivem em seu próprio reino, liderados por Vandran, sobrevivendo à uma tensa inimizade com os elfos e sempre em busca de mais conhecimento e do melhor para o seu próprio povo – custe o que custar. O que nem sempre é positivo, pois através da inconsequência de seu rei, iniciaram uma guerra desnecessária por territórios com os elfos há algumas décadas. Dada a falta de disposição de terras para os dois povos, sempre conflitaram entre si para conquistar seu lugar, mas quando tudo parecia assentado, Vandran, tomado pela ganância, deu início à uma chacina em Dungelöff, reino dos elfos.
Inexperiente, o jovem rei, em sua ignorância rara entre os bruxos, cometeu o terrível erro de utilizar feitiços negros na invasão, crendo que devido ao poder massivo da magia negra conquistaria Dungelöff. As consequências foram monstruosas. Não só toda uma região do reino tivera todo o seu Prâna consumida pelo buraco negro energético que a magia negra em massa criou, como todos os envolvidos foram massacrados. Tornou-se um marco negro não apenas na história dos elfos, como também na dos bruxos. A invasão, é claro, fora um fracasso e os bruxos sobreviventes retornaram para Fries tomados pelos sinais da magia negra. Não tardou para as doenças virem à tona, e maioria dos sobreviventes morreram poucos anos depois de câncer. Até hoje nenhum bruxo sabe se o uso da magia negra foi intencional ou um acidente, mas há boatos de que o Rei esconde a verdade.
Hoje a região do combate permanece infértil, incapaz de gerar qualquer forma de vida. O espectro sombrio da personificação física do Fohat ainda sombreia a área, sentenciando a morte qualquer ser vivo que ouse pisar naquelas terras. Isso marcou fundo no coração dos bruxos – agora cientes dos danos da magia negra e finalmente disposto a seguir fielmente as regras propostas por Cordus milênios atrás.
Quanto a relação entre os reinos de Fries e Dungelöff, até hoje uma tensa paz reina entre ambos, em um acordo arranjado para evitar maiores estragos. É preciso manter em mente que apenas uma linha tênue e fria separa os dois lados de se colidirem em uma nova chacina.
Hoje, alheios aos problemas passados, os bruxos erguem-se sábios e orgulhosos. São capazes de se adaptar rápido aos infortúnios de seus caminhos, e são inteligentes o suficiente para aprender com seus erros sem medo de admiti-los. Em uma época de paz como a que vivem hoje, os investimentos nas pesquisas por conhecimento estão cada vez maiores – novos bruxos estão surgindo com a taxa de natalidade subindo, e novos bruxos ingressam nas faculdades, ávidos pelo saber.
É uma ótima época para mergulhar nas maravilhas do Fohat.

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Re: Os bruxos, e o arcano.

Mensagem por Wings of Despair em Sab Fev 18, 2017 9:57 pm


Peculiaridades

I. O preço
É extremamente difundido por toda a sociedade dos bruxos de que todo feitiço possui um preço a ser pago. Sempre que o Fohat é dobrado e o Akasha vibra, algo muda para sempre no tecido cósmico e físico do universo. Um feitiço de incinerar uma viga de madeira necessitará que o bruxo que o lançou esteja preparado para arcar com as consequências. O Kundalini do seu corpo é ativado no momento em que a conexão com o Fohat é estabelecida. Diante do fluxo de energia no Kundalini, o Prâna, seu corpo cósmico, identifica as vibrações dele e emite a energia no tecido do Fohat, que dobra-se à vontade do bruxo, trazendo a força do elemento utilizado para transmitir a energia até o objeto. No caso do feitiço de fogo, o Fohat mergulhará por entre os átomos da viga de madeira, e então exalará a energia de maneira para que os átomos vibrem, energéticos, preenchidos pelo Fohat. A energia – ou Fohat – liberada força o oxigênio a entrar em combustão, incinerando a madeira.
Dessa forma, todo feitiço aquece o seu objeto alvo, pois o Fohat age diretamente nos átomos, acelerando-os para transmitir a energia necessária. Mas de onde essa energia vem? Por mais que o Fohat seja energia cósmica, ele precisaria de algum impulso para agir. Esse impulso é a energia psíquica, que é o próprio Prâna do bruxo, o seu corpo cósmico, se convertendo em combustível para o Fohat através da ponte que o Kundalini estabelece. Dessa forma, quanto mais exigente é o feitiço, mais Prâna será absorvido, podendo gerar cansaço, taquicardia, tonturas, desmaio, complicações mais sérias ou até morte no bruxo. Um bruxo despreparado que tentar levantar uma carroça, seja com os poderes do vento ou da gravidade, não será capaz de reter energia psíquica suficiente para tal coisa, pois o esforço será o mesmo que ele mesmo tentar levantar com suas próprias mãos. Tal ato é impossível, e no momento da realização do feitiço, seu Prâna será completamente esgotado, gerando o que os bruxos chamam de “morte cósmica”, onde o corpo é deixado em um coma eterno. Para recuperar o Prâna utilizado, o bruxo necessitará de descanso e uma boa alimentação nutritiva.
No caso do uso de magia negra, o ato de distorcer um ou vários elementos através do romper do equilíbrio do Akasha, o custo é ainda maior. Não são poucos os casos de bruxos renegados que morreram jovens devido ao desenvolvimento de um tumor em seu Kundalini, que em pouco tempo se espalha por suas vértebras, sentenciando-o a morte. Os feitiços negros, como são chamados, não utilizam o Kundalini como emissor de energia psíquica que será convertida em Fohat, eles utilizam o Kundalini como receptor de Fohat, depositando-o dentro do Prâna do bruxo. Tanto fluxo de energia cósmica distorce e aleija o Prâna, que se torna enfermo com o tempo, refletindo esses danos no próprio Kundalini, que possui contato direto com o corpo físico do bruxo.
É sabido pela sociedade dos bruxos os danos da magia negra, mas não é um conhecimento popular o porquê do Fohat ser retido no Prâna do bruxo. Acredita-se que através da mistura da energia psíquica com a energia cósmica, o Kundalini consegue transmitir para o mundo físico uma personificação do próprio Fohat – algo que só deveria existir no plano cósmico. Tal abominação não apenas corrompe os tecidos do espaço-tempo, como também é de poder imensurável, sugando a energia necessária para existir não do corpo cósmico do bruxo, mas de todo o mundo à sua volta. Um buraco negro incontrolável, mas que permite o uso de feitiços extremamente poderosos devido ao baixo custo de energia do bruxo. Porém o preço à longo prazo é terrível, não só para o bruxo, como para o Cosmo.
II. As relíquias, runas e tatuagens
Será comum para qualquer bruxo possuir vários objetos encantados ao seu dispor, sejam talismãs, pedras raras ou metais. Quanto mais consistente é o material – ou seja, quanto mais duro –, mais difícil é para encantá-lo, mas ao mesmo tempo, mais capaz de reter energia ele é. É preciso entender que é comum por entre os bruxos o estudo da alquimia, desta forma, seus feitiços muitas vezes envolvem formas complexas de química. Baseado no conhecimento do funcionamento atômico da matéria, os bruxos perceberam que ao transmitir pouca energia psíquica ao Fohat, os tecidos que ele forma apenas mudam de posição, não emitindo nenhuma manifestação energética. Assim eles foram capazes de inventar o encantamento, moldando por entre os laços atômicos de um objeto os tecidos do Fohat. Isso requer alto conhecimento da composição química e da fórmula atômica do material em questão, mas uma vez estudado, o bruxo é capaz de reter Fohat dentro do objeto e então energizar os fios tecidos por entre os átomos. Para finalizar, o bruxo lança um feitiço de retenção de energia em volta da superfície do objeto, mantendo-a no interior dele.
Quanto menos energia cinética existe em um objeto, mais estacionários seus átomos são, dessa forma, é mais difícil para a energia cósmica mantida nele conseguir escapar. Quanto mais estacionário os átomos de uma matéria é, então mais duro o objeto é, pois é através do aceleramento do movimento dos átomos no interior de um bloco de gelo que o força a tornar-se líquido, e eventualmente evaporar. Quanto mais rápido os átomos se movem, mais eles se distanciam, formando a liquidez, até que o movimento seja tão forte que o átomo se desprende da composição do objeto, lentamente escapando para fora dele, criando assim a evaporação. Átomos em movimento constante são mais difíceis de reter o Fohat, pois a energia cinética perturba o Fohat e o dissolve mais facilmente. Porém, quanto mais juntos os átomos estão, mais difícil é tecer o Fohat em volta deles, daí a dificuldade em encantar um objeto duro, mas ao mesmo tempo, mais tempo ele ficará encantado.
Os encantamentos podem servir tanto para imbuir uma espada com poder, seja de fogo ou raios, ou para criar uma película indestrutível em volta de uma armadura ou escudo, como também podem servir como reserva energética. Devido a todo feitiço ter um preço a ser pago em energia, o bruxo pode contar com a ajuda de um objeto energizado para quitar essa dívida, gastando apenas parte de sua energia psíquica no feitiço, e outra parte é cobrada diretamente do Fohat que o objeto retém.
Quanto às runas, são escrituras antigas dos primeiros povos que entraram em contato com o Fohat e as entidades cósmicas. Tais “palavras e desenhos” na verdade são pinturas das ondas e curvas que o Fohat e os cinco elementos fazem em volta de si mesmos, em uma dança cósmica. Sempre que uma runa de água é escrita, ela imita o movimento da Água no plano cósmico, tornando-se então parte da Água, daí seu poder de potencializar um feitiço que a utilize. O mesmo vale para as palavras verbalizadas, elas traduzem esse movimento visual em ondas sonoras, transmitindo o mesmo movimento apenas através de uma nova fonte. Alguns feitiços mais complexos não necessariamente desenham um elemento só, mas mesclam diversos movimentos do Fohat e dos elementos, criando assim interações mais complexas, como o uso do Fohat envolto no Akasha em escalas subatômicas para o controle da gravidade.
Também existem runas e palavras reversas, que imitam o movimento contrário à aquele que o elemento ou o Fohat está realizando. Serve tanto como contra-feitiço como também como um isolador, sendo capaz de reter a energia ou objeto físico em um determinado espaço – ou até mesmo impedir sua manifestação, sendo um poderoso método de selamento.
As tatuagens seguem a mesma mecânica, sendo imitações dos movimentos cósmicos. Podem potencializar um uso específico de algum feitiço ou elemento no corpo do bruxo que a fez, como também podem servir com o propósito contrário, caso sejam uma runa inversa: elas podem simplesmente impedir que o bruxo use aquele feitiço, diminuir sua capacidade de usá-lo ou até interromper o fluxo do Prâna naquela situação, fazendo o custo de energia psíquica ser ainda maior.
III. Vida e Morte
É importante manter em mente que a crença dos bruxos dita que toda e qualquer forma de vida é relevante e deve servir à um propósito cósmico. Essa filosofia integra os bruxos em uma situação de pelo menos mínimo respeito pelo que é vivo, e uma certa desconfiança contra os vampiros. Tudo o que é vivo possui seu próprio Kundalini e seu próprio Prâna, e enquanto o Prâna fluir daquele ser, ele continuará sendo vivo. No momento em que um ser vivo morre, o seu Prâna abandona seu corpo físico, fechando a conexão com o Kundalini e ascendendo ao Fohat, tornando-se parte dele. Dessa forma, os bruxos acreditam que, fundamentalmente, somos todos frutos da mesma árvore, e que quando morremos, para ela retornaremos. Isso explica a falta de preocupação de maioria deles para com a morte. Algumas teorias falam sobre uma reutilização daquele Prâna fundido no Fohat para o nascimento de um novo Prâna em um novo corpo, livre das lembranças da forma que o anterior tomou, mas ainda sendo, em termos cósmicos, o mesmo Prâna. É o mais próximo de reencarnação que os bruxos creem.
Também vale considerar o tempo de vida dos bruxos, modificado drasticamente devido ao Kundalini despertado ao longo das gerações: eles podem viver em média 100 anos, sendo eles divididos dessa forma:

1 – 15: Infância.
15 – 20: Adolescência.
20 – 35: Idade adulta.
35 – 50: Meia idade.
50 – 100: Velhice.
100 – 150: Ancião. (Incomum)

A aparência física de cada uma das fases da vida de um bruxo se mantém idêntica ao do ser humano comum, sendo apenas mais demorada, pois seu envelhecimento é atrasado pelo Kundalini desperto. Dessa forma, até os 15 anos o bruxo continuará com a aparência de uma criança, na adolescência, até os 20 terá a aparência de um adolescente, e assim por diante.
IV. A Universidade e as Escolas da Magia
Com a idade apropriada e o consentimento dos pais, é permitido aos bruxos se matricularem no período de exames de admissão na universidade de especialização nas artes mágicas e práticas, a Universidade Arcano. O exame é dividido em três fases: Conhecimentos Básicos; Conhecimentos Cósmicos e Aplicação de Conhecimentos Cósmicos.
A primeira fase dura um final de semana e se dá em uma coletânea de provas orais e por escrito, testando o conhecimento sobre matérias escolares do concorrente, sendo elas: Matemática, Gramática, Biologia, Química básica, Física básica, História e Raciocínio Lógico. As provas ocorrem no final da primeira semana do quinto mês do ano, com duração de 7 horas ininterruptas no primeiro dia e 6 horas no segundo. Os alunos com melhor pontuação, cujo qual nenhuma nota tenha ficado abaixo da média de 6, avançarão para a próxima etapa.
A segunda fase dura os dois finais de semana seguintes e possui provas por escrito sobre: Conceitos e Leis de Abjuração; A Essência da Conjuração; Funcionamento Atômico dos Encantamentos; Consequências da Ilusão; Básico da Transmutação. Uma vez aprovados com uma pontuação mínima de 8 pontos, os que tiveram o melhor desempenho passarão para a última etapa.
A terceira fase dura apenas um dia, o último dia do quinto mês, e requer uma apresentação formal e prática dos conhecimentos mágicos do candidato diante de uma banca examinadora de mestres da Universidade Arcano. A apresentação deverá conter, em seu feitiço de escolha, ao menos a presença de um Elemento e deve se enquadrar em pelo menos uma escola de magia. A apresentação mais surpreendente ou inovadora dará ao candidato a aprovação para iniciar seus estudos na Universidade Arcano no vigésimo dia do segundo mês do ano seguinte, onde deverá estudar durante os próximos dez anos as seguintes matérias:

Conhecimentos Básicos – Álgebra; Geometria; Gramática; Linguística; Psicologia; Física Básica e Quântica; Astronomia; Anatomia; Química; Alquimia; Filosofia; Nutrição; Neurologia; Traumatologia.

Conhecimentos Cósmicos – Abjuração; Conjuração; Encantamento; Ilusão; Transmutação; Conversão Energética; Propriedades do Fohat; Constituição do Prâna; Anatomia do Prâna; Funcionamento do Kundalini; Os Cinco Elementos; Cosmologia; Parabrahman e Mulaprakriti; Psique; Runas Antigas; Feitiços Básicos; Feitiços Avançados; Runas Modernas; Movimentação do Fohat; Plano Cósmico; Pronúncia; Aulas Práticas.

Ao fim de 10 anos de estudo, o estudante poderá optar por passar mais cinco anos de estudo em Especialização e Maestria – ao término desses cinco anos, o estudante poderá se especializar em mais outra matéria. As opções são:
Maestria em Abjuração; Maestria em Conjuração; Maestria em Encantamento; Maestria em Ilusão; Maestria em Transmutação; Maestria no Akasha.
Especialização em Fogo; Especialização em Água; Especialização em Terra; Especialização em Ar.


Ao fim dos estudos sem Especialização e Maestria, o bruxo receberá um certificado de arquibruxo, podendo exercer papel de professor em escolas e na Universidade, e também se matricular no exército, além de funções variadas na sociedade, como alquimista, encantador, ilusionista, físico, químico, engenheiro, entre outros papéis mais básicos.
Caso o bruxe opte por concluir sua Especialização e Maestria, receberá um certificado de arcano, podendo exercer qualquer papel citado anteriormente, além de ter uma vaga reservada na Força de Elite do exército dos bruxos, já começando com alta patente em relação à aqueles que apenas concluíram seus estudos. Um bruxo arcano terá também vantagens sociais, como bolsas de estudo para seus filhos na Universidade e será considerado, para todos os efeitos, um agente do governo, com todos os privilégios econômicos e judiciais que acompanham o título. Além de tudo, será amplamente reconhecido na sociedade como um mestre das artes mágicas, sendo referência em todo o reino de Fries. Não são tão comuns devido ao tempo e esforço gasto para alcançar esse patamar, mas é de certo bastante recompensador ao fim da jornada. É também importante manter em mente que a cada dez bruxos que ingressam na Especialização e Maestria, apenas quatro conseguem concluir o curso. Dos quatro, apenas um é aprovado e recebe seu certificado. E mesmo que o curso em si dure apenas cinco anos, normalmente demora-se de dez a quinze anos para que o bruxo consiga passar nos exames finais de demonstração prática e teórica dos conhecimentos adquiridos. Quase ninguém consegue concluir nos cinco primeiros anos.

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Re: Os bruxos, e o arcano.

Mensagem por Wings of Despair em Sab Fev 18, 2017 10:00 pm


Glossário

Kundalini – É um ponto do Prâna que jaz adormecido na base da coluna do corpo humano, um ponto onde o corpo físico e o Prâna, o corpo cósmico, se confundem. O Kundalini de um bruxo é despertado, sendo assim, a conexão entre os dois corpos é sempre ativa, o que permite a manipulação consciente do fluxo de energia psíquica que compõe o Prâna, possibilitando uma conexão entre o Prâna e o Fohat. Todas as formas de vida possuem um Kundalini.
Akasha – O princípio original, é o éter do Cosmo. O elemento primordial que gerou os quatro elementos e as quatro forças físicas: O Ar, a Água, O Fogo e Terra. A força gravitacional, a eletrodinâmica, a força fraca e a força forte. Tudo o que existe o compõe.
Prâna – É a projeção do corpo físico no plano cósmico. É o corpo psíquico, a energia vital que permeia toda forma de vida e dá a ela uma consciência cósmica. Através do uso consciente do Kundalini, ganha a capacidade de fornecer energia ao Fohat, permitindo a realização dos feitiços.
Fohat – É a essência elétrica do universo, sendo a fonte de sua energia. É o que dá força à todas as coisas para que elas mergulhem na existência. Sem ele, não haveria um universo físico. Quando influenciado pelo Prâna de um indivíduo, é capaz de fornecer seus atributos mágicos de formação e destruição para o uso dos feitiços dos bruxos.
Os Elementos – Há uma diferença entre o fogo e o Fogo. A forma física de um elemento é o que vemos visualmente, enquanto a forma cósmica, o Fogo, é sua existência inerente ao Cosmo. Quando um bruxo se refere ao fogo, ele cria chamas, mas quando ele se refere ao Fogo, ele se refere a toda e qualquer forma de calor ou energia elétrica. O mesmo vale para a água, sendo a Água toda e qualquer forma de liquidez, a Terra qualquer sólido e o Ar, qualquer gás. Mas, é claro, o estado natural de cada elemento é mais fácil de manipular, ou seja, o Ar de gases desconhecidos gastará mais Prâna do que a manipulação do ar puro. Os elfos possuem a capacidade tênue de manipular os Elementos em suas formas naturais, pois são o meio mais fácil de usá-los. Porém, por fazê-lo de maneira natural, não conseguem exercer o controle que os bruxos possuem ao utilizar do Fohat para tal coisa.
Parabrahman – É a essência da existência individual, a consciência. Antes do universo físico, viveu em união com Mulaprakriti. Representa para muitos a força a ser emanada sempre que uma nova vida cósmica nasce. Durante o período de autoconsciência, representou a positividade com a paz, mas no momento em que retornou para sua forma de energia, reassumiu como principal responsabilidade criar harmonia com o Mulaprakriti, sendo a força atrativa que gera a atração entre os corpos cósmicos. Unido com a energia do Mulaprakriti, gera a órbita que o Fohat forma em volta de todas as coisas. Isso é refletido em um efeito que podemos ver – a existência da matéria escura, que nada mais é do que o reflexo dessa dança cósmica interagindo com o plano físico.
Mulaprakriti – É a raiz da matéria e da natureza. É veículo para todos os fenômenos. Durante o período de autoconsciência, representou a negatividade com o caos físico, mas nos dias de hoje, desde que mergulhou na forma apenas de energia, mantém o Cosmo existindo através da harmonia entre caos e ordem estabelecida com o Parabrahman. Sua força afasta os corpos que compõem o plano cósmico, isso somado com a força atrativa do Parabrahman coloca o Fohat em órbita.
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Re: Os bruxos, e o arcano.

Mensagem por Wings of Despair em Sab Fev 18, 2017 10:07 pm


A magia

Um bruxo pode usar qualquer feitiço simples que lhe parecer útil ao momento, contanto que tenha uma reserva energética o suficiente para sustentar o esforço que a ação requereria que ele o fizesse com as próprias mãos, incluso a força de resistência do objeto. Ao usar um feitiço, por mais simples que seja, seus olhos acenderão em um tom prateado-azulado, indicando o fluxo de poder (para os que se aventurarem nas artes sombria, o processo é inverso, com os olhos assumindo o tom escuro de um vórtice sugando a luz). É também necessário haver uma conexão com o alvo. Existem quatro tipos de conexão, da mais fraca à mais forte:

  1. Visual: O bruxo pode ver o objeto, mas não está tocando-o nem possui qualquer ligação com alguma parte que o compõe. Qualquer feitiço direcionado ao alvo será de extrema dificuldade de realização.
  2. Física: O bruxo possui uma parte que compõe o objeto em suas mãos, seja uma peça, um fio de cabelo, sangue ou saliva. Quanto mais importante para a existência do alvo a parte em suas mãos é, mais forte a conexão se estabelece.
  3. Cósmica: O bruxo conseguiu ultrapassar as barreiras de defesa mágica do alvo e está em contato com seu Prâna. Com esse tipo de conexão, o bruxo é capaz de realizar feitiços que normalmente requereriam maior esforço com maior facilidade.
  4. Inerente: O bruxo está utilizando um feitiço em algo que faz parte dele mesmo. Dessa forma, o feitiço não encontrará resistência e o preço pela ação será suavizada, como um processo de cicatrização de um ferimento – dependendo, é claro, do quão profundo o ferimento é.

O nível de esforço de um feitiço é também medido pelo quão complexo a realização é. Feitiços simples como de acender uma vela requerem apenas uma palavra antiga, o que é de extrema facilidade. Já um feitiço para derreter a vela sem que a chama acenda, já requer uma frase em palavras antigas e gastará mais energia, sendo um pouco mais complexo. E um feitiço para transmutar a vela em um outro objeto inanimado temporariamente será de extremo custo de energia, o suficiente para causar um coma cósmico em um bruxo descuidado.
Além disso, o bruxo precisa ter em mente as regras principais estabelecidas pelo primeiro dos bruxos, Cordus, se quiser um convívio pacífico com os outros bruxos:

  1. É estritamente proibido o uso de qualquer feitiço sombrio, ou seja, qualquer ato mágico que altere a composição cósmica através do Akasha de qualquer alvo mágico.
  2. É estritamente proibido utilizar magia para ferir outro ser vivo sem que haja, anteriormente, um risco real à integridade do agressor ou outro indivíduo, sendo atributo necessário desse risco que ele possa ser provado em julgamento.
  3. É estritamente proibido o uso do Kundalini como receptor do Fohat em qualquer situação. O Fohat poderá ser armazenado apenas em objetos inanimados e com o intuito de reserva energética ou encantamento, jamais sendo utilizado para manifestação de alguma alteração no tecido do Akasha, e antes do ato de encantamento de um objeto, ele deverá ser levado para um exame pelas mãos de algum funcionário do governo para que este forneça a aprovação para o encantamento. Caso o encantamento seja realizado em uma situação de risco e não houvesse outra opção, o objeto deverá ser levado assim que a situação de risco for superada até o funcionário do governo para que este julgue se será necessário reter o encantamento e/ou objeto ou não.
  4. É estritamente proibido a construção ou elaboração de um feitiço não catalogado ou uma combinação incoerente das palavras antigas, sendo essa atitude uma função apenas permitida para membros das instituições de pesquisas acadêmicas, possuindo a autenticação necessária para tal ato, com propósitos de pesquisa.

A infração de qualquer regra citada acima é punível com morte ou exílio, dependendo da gravidade da ação que será julgada em corte pública em até um mês seguinte ao ato ilícito.
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Re: Os bruxos, e o arcano.

Mensagem por Wings of Despair em Sab Fev 18, 2017 10:13 pm


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todo bruxo, quando criança, estudou os princípios básicos da magia para a própria segurança e daqueles à sua volta. Quando atingido a adolescência, será de sua decisão, junto de seus responsáveis, se seguirá uma carreira acadêmica na Universidade Arcano ou se assumirá algum outro propósito na sociedade. É necessário que todos os bruxos possuam uma função a cumprir em sua cidade ou povoado, caso contrário, será negado a ele qualquer direito ou reconhecimento como pessoa física, incluindo proteção legal.
Também é importante saber, para maior imersão dentro do RP, que o espectro da magia pode se manifestar em diferentes cores, refletindo os tons da luz imitando o cosmo. Magias de proteção, como de bloqueios, escudos e seus variantes, costumam ter um tom púrpura ou lilás. Magias de restauração e absorção possuem um tom esverdeado, enquanto o espectro de magias elementais acompanham a cor do elemento em si. E é claro, para a magia negra, o espectro não possui cor, apenas se alimenta de toda a iluminação local, tendo um aspecto negro.
Para evitar qualquer desentendimento no uso das palavras antigas, é importante saber que não é necessário pronunciá-las em voz alta, sendo uma descrição como “[Nome] sussurra algumas palavras antigas” ou “[Nome] utiliza de seus conhecimentos nas escrituras antigas” “[Nome] fala algumas palavras mágicas” e variantes são completamente aceitáveis e recomendadas, dado a falta de um dicionário completo para as palavras antigas. Para cobrir o básico das necessidades que possam surgir no caminho, algumas palavras relevantes seriam:
Alesrah – Sangue, bastante útil quando se quer estancar um sangramento quando se soma com a palavra “mon”.
Mon – Parar ou pare, serve para reter algo ou alguém. Possui um custo de energia extremo, pois tal feitiço triplica o peso que um objeto teria normalmente, forçando o bruxo a segurá-lo com um peso ainda maior, aumentando o custo da energia. Quanto mais tempo durar, mais pesado o objeto será.
Maste – Meu, serve para referir-se a uma posse sua ou de outra pessoa ou para ligar algo a si ou a outra pessoa, como ligar um objeto ou alguém a sua pele para que sempre que se machuque, o alvo também sinta.
Kôr – Imediatamente, serve para acelerar o processo de um feitiço, dobrando o custo de energia cobrada.
Prâna – Eu, você ou ele (a), servindo como uma forma de dirigir-se à alguém vivo, necessário quando um feitiço é direcionado a uma pessoa.
Sasam – Aquilo, servindo como uma forma de dirigir-se à um objeto inanimado, necessário quando um feitiço é direcionado à algo.
Demalst – Ordem ou ordeno, serve tanto para suavizar ou acalmar algo, como para um comando, podendo ser usado como alternativa para estancar um sangramento, acalmando a pressão sanguínea. Quanto mais tempo algo que não deveria estar naturalmente calmo ficar acalmado, como uma poça d’água na chuva, mais custoso será o feitiço. Quando utilizado para ordenar algo, serve bem para referir-se a organismos vivos simples, como plantas ou insetos.
Orohm – Revelação, útil para forçar algo invisível à ser visto, faz com que os espectros da luz incidam sob o alvo. Também pode ser utilizado para iluminar um local escuro, servindo de alternativa para um feitiço muito mais complexo de fortalecer a visão do olho.
Kastiah – Sombras, serve tanto para escurecer um local quanto para, quando combinado com as palavras certas, referir-se à matéria escura ou trevas, mas assumindo assim a posição de um feitiço volátil e dificilmente controlável. Unido com o farkash, pode ser uma maldição poderosa.
Farkash – Fardo, geralmente usado para maldições, quando usado com maste, pode livrar uma maldição, mas quando usado com o kastiah e uma palavra antiga específica, é capaz de amaldiçoar algo. Esse tipo de atitude é explicado nas quatro regras de Cordus como proibido a não ser que seja justificado. Costuma requerer um ritual com runas para realização, sendo um feitiço complexo.
Largha – Viver, pode ser usado para muitos propósitos, mas maior parte deles envolve magia negra, pois necromancia é uma forma de corromper o Akasha, criando vida onde não há Prâna. O corpo animado apenas permanece animado enquanto possuir uma carga energética de onde retirar energia.
Kavae – Enxergar ou ver, bom para feitiços que melhoram a visão.
P’ – Quando usado antes de qualquer palavra, representa sua forma negativa.
For – Fogo, sendo o elemento em si, não o fogo material. O fogo material, ou qualquer outro elemento quando referido a sua forma material, deverá ser retirado o R no final, sendo chamado então de Fo, no caso do fogo.
Arahr – Água, o elemento em si. Arah para a água material.
Eonr – Ar, o elemento em si. Eon para o ar material.
Motror – Terra, o elemento em si. Motro para a terra material.

Isso é tudo o que um bruxo precisa ter em mente antes de começar sua jornada. Use seu poder de forma consciente, com respeito à liberdade de interação do seu próximo, jamais retirando de outro sua liberdade de reação à uma ação sua. Seus feitiços possuem limites, mesmo que tenha em mãos uma fonte inesgotável de Fohat, e esses limites são estabelecidos pelo seu próprio corpo mortal, que não tem estrutura para lidar com fluxos de energia enormes. Mantenha em mente que desde os acontecimentos com Cordus, o Cosmo enfraqueceu mais e o custo de Fohat para uma ação é ainda maior. Seus feitiços serão um ótimo auxílio para lidar com os infortúnios que encontrará em seu caminho, mas raramente serão uma solução definitiva e livre de esforços maiores.
Que o seu Prâna brilhe com suas conquistas, jamais falhando ao seu chamado.
Que seu Kundalini reflita apenas o melhor que há em você.
Que o Fohat o aceite como parte dele.
Que o Akasha sempre flua em você.

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