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WINGS OF DESPAIR É UM ROLEPLAY DE FANTASIA MEDIEVAL +18
Sereias, e o vasto oceano.

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Re: Sereias, e o vasto oceano.

Mensagem por Wings of Despair em Dom Fev 19, 2017 10:38 pm


– a história das profundezas

“Ver o mundo através do reflexo de um espelho. É assim que nos sentimos. Vemos as terras que um dia que também foram nossas serem despedaçadas pelos conflitos sem sentido de povos incapazes de encarar que a maior ameaça que eles podem encontrar são eles mesmos. Você deve estranhar esse lugar, aqui, perdido no meio de um mundo tão sombrio. Você deve se perguntar se esse é o santuário que sua alma cansada de vagar buscou para repousar, se aqui é o horizonte que nunca se aproximou, se aqui é o lugar certo para se perder sem medo de se achar por acidente, virando alguma esquina fria, e ter que encarar os próprios erros. Talvez, talvez aqui seja mesmo um santuário. Mas a podridão do seu mundo já nos feriu demais. A podridão que você despeja, como quem se livra de um fardo sem se importar quem terá que carregá-lo. Talvez esse preço tenha que ser pago algum dia. Por enquanto, estaremos onde você mais despreza, nas profundezas abissais.”
Aina enrolou o papel de papiro, enfiando-o em uma garrafa. A sereia olhou para trás, e seus olhos prateados reluziram com o sol quente de Hähle, e suas pálpebras piscaram lentamente, aliviando o incômodo ardor. Então, abruptamente, a garota enfiou a garrafa na boca escancarada do mercador estripado, e jogou seu corpo por cima do barco despedaçado, mas, milagrosamente, ainda funcional. A garota ouviu o som familiar do assobio gutural de Javos, e afundou nas ondas azuladas do mar.
Enquanto descia cada vez mais fundo no oceano, observou enquanto os corpos dos mercadores boiavam, alguns sendo puxados por arpões acorrentados em volta das mãos dos seus parceiros do cardume. Uma onda forte acertou o barco, e desprendeu algum dos arpões que foram lançados contra ele quando a embarcação passou pela armadilha. Os arpões lentamente afundaram em direção as rochas em que estavam amarrados, e Aina desviou lentamente de um enquanto se aproximava de Javos.
O tritão olhou em seus olhos, acariciando levemente seu rosto, e entreabriu seus lábios. O som característico de assobios de várias frequências e tons ressoaram, estremecendo os ouvidos de Aina:
- Você deixou a mensagem? – O tritão perguntou.
- Sim, você acha que impedirá a guerra? Acha que recuarão?
Javos segurou o rosto de sua esposa com suavidade, revelando um tênue sorriso. Seus olhos dourados piscaram apenas por costume, uma vez que já estavam hidratados nas profundezas do mar:
- Não.

Um dos povos que mais sofreu na história desse mundo, é o povo sirene. Suas origens datam há milênios, durante a alvorada da raça humana. Quando os primatas desceram de seus lares em árvores e descobriram o oceano, a história das sereias e tritões começou a ser contada. O chamado das marés infinitas se tornou tentador, e um mundo inteiro abundante em alimentos foi o suficiente para iniciar a primeira pesca do mundo. Lentamente, ao longo dos milênios, os primatas aprenderam a ir mais fundo no oceano, a criar laços com animais marinhos e caçar presas em união. Suas sociedades começaram a desenvolver, e seus pulmões a se adaptar, até perderem totalmente a utilidade e voltar para a terra se tornar um ato frívolo de suicídio, não só pela pouca tolerância ao ar rarefeito, como também devido a presença dos seus irmãos distantes: a nascente humanidade.
Quando a transição para animal aquático dos primatas foi concluída, e os pilares básicos de sua civilização medieval estava pronta, a humanidade dava seus primeiros passos em direção à idade de bronze. O povo sirene, em sua inocência, costumava nutrir um interesse por aquele povo tão próximo, e ao mesmo tempo tão diferente deles. A humanidade não compreendia muito bem com o que estava lidando, e os contatos eram raros, mas ficariam guardados as visitas das sereias em inúmeras civilizações humanas ao longo da História.
Porém, uma vez que a humanidade amadureceu o suficiente, os contatos foram abruptamente cortados. Os antigos parceiros humanos tornaram-se hostis, dominadores, e as muitas sereias e tritões que se aventuravam no mundo da superfície muitas vezes nunca retornaram. Foi então decretado na sociedade sirene que a subida à superfície seria um risco, e uma vez que a humanidade se tornou inteligente, seria questão de tempo até alarmá-los da existência do reino das sereias, e isso colocaria em risco a existência do pacífico povo do mar.
Milênios se passaram sem qualquer contato, e o povo sirene evoluiu em muitas formas, desenvolvendo tecnologias e prédios sub-aquáticos esculpidos nas pedras das sinuosas profundezas do mundo. A vida era plena e calma na escuridão abissal. Mas a arrogância humana cada vez mais começou a ferir o reino que fora considerado intocável por tanto tempo: os sonares de submarinos estouravam os órgãos do povo sirene, deixando-os surdos e consequentemente inutilizados, cegos nas profundezas enquanto lentamente eram sugados pela dor e desespero em direção à águas perigosas para nunca mais serem vistos. O mar esquentou com a poluição, e foi preciso que o povo aquático se adaptasse novamente, de forma desajeitada e febril. As sereias esperavam que esses efeitos passassem com o tempo, mas o que elas realmente temiam se concretizou, e a humanidade conseguiu, finalmente, destruir o mundo.
As fossas abissais cuspiram esquifes de lava, e terremotos de escalas dantescas varreram as inúmeras cidades do mundo obscuro. Não restara nada além de ruínas do que um dia foi a civilização mais próspera do mundo. Os milênios que se seguiram foram de silêncio perturbador, enquanto lentamente o mundo se recuperava e se transformava em uma nova massa continental. Nada restou do que um dia foi um lar para o povo sirene.
Hoje, vagando como andarilhos das ondas eternas, o povo sirene busca um lugar para si. Mas quanto mais próximos da superfície eles se aproximam, os perigos que antes seus antepassados temiam voltam a se repetir, se sereias e tritões somem, sendo caçados pelos povos humanos de Hähle como forma de esporte.

- Eles já destruíram o mundo uma vez. Será que eles realmente merecem continuar lá em cima? Será que... – Os assobios suaves de Aina foram cortados por um som gentil vindo do seu marido.
- Se você quer que eu vingue nossa filha, Aina, você só precisa falar e eu derrubo cada castelo e viro cada embarcação deste mundo.
Aina se afastou por um instante, observando as luzes boreais que iluminavam o teto do oceano:
- Eu quero.

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Re: Sereias, e o vasto oceano.

Mensagem por Wings of Despair em Dom Fev 19, 2017 10:42 pm


e então?

O povo sirense se prepara, nas profundezas do oceano, para uma incursão em massa que mudará para sempre o balanço das espécies no mundo. Até lá, pequenas incursões de cardumes e sociedades se formam próximas à arrecifes, nas profundezas do mar, e muitas sereias tentam prosperar apesar da caça constante que mercadores e piratas lideram, seja por puro esporte ou em busca da cauda de uma sereia como troféu para contar vantagem em conversas de tabernas. Algumas sereias e tritões buscam, do outro lado do oceano, pelo auxílio de meios mágicos para se misturar no mundo da superfície, seja por motivos de abandonar suas antigas vidas e abraçar novas oportunidades, ou em busca de vingança. Esses andarilhos costumam, algumas vezes, cruzar caminho com humanos que desfazem o nó do ódio em seus corações, o que ocasiona em noites românticas. É possível que um fruto dessas noites seja uma criança híbrida, mas não é uma vida desejada, uma vez que esta criança estará para sempre presa na praia da existência, dividida entre dois organismos que não funcionam propriamente em nenhum dos lugares, com deformações e anomalias que interferem numa vida saudável.
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Re: Sereias, e o vasto oceano.

Mensagem por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 1:16 am


Peculiaridades

I. Anatomia
O povo sirene precisou passar por muitas adaptações ao longo dos milênios de sua existência, e muitas vezes foram distanciados e puxados de volta ao contato com o mundo da superfície, dessa forma possuindo uma anatomia capaz de sustentar um período de tempo prolongado na superfície, mas otimizado para funcionar em sua plenitude nas profundezas abissais do oceano. Através de olhos sensíveis à luz, enxergar à noite não é dificuldade alguma para as sereias, apesar de que o dia consegue ser um incômodo. Suas pernas em forma de cauda permitem que se movam pelos oceanos com velocidades extremas, cortando através de rochas e ondas com a velocidade de um cavalo à trotar. A força necessária pra uma agilidade sem igual também é transmitida na capacidade físicas de seus corpos, fazendo-os capazes de saltar alto por cima de embarcações ou, com ajuda de arpões e da força unificada do cardume, virar um navio inteiro. É onde reside a maior força do povo sirene, a união inabalável que une a raça à milênios coloca em risco o mundo desunido da superfície.

II. Talismã
Como citado, é possível para uma sereia se misturar nos reinos da superfície sem qualquer distinção, se tornando cópias perfeitas da forma humana. A transição pode ser um pouco dolorosa, visto que requer que o bruxo localize os genes perdidos de humanidade na sereia, e ativem eles, sendo assim, o talismã é EXCLUSIVO de seu dono ou dona, pois está armado para funcionar apenas com a anatomia do usuário original. Uma tentativa de usar o talismã não adequado para seu corpo será fatal, uma vez que deformará seu corpo a ponto de uma mutação sem órgãos vitais, ou até com membros em posições dolorosas demais para o corpo suportar. Caso o jogador queira começar sua ficha já com um talismã próprio, é necessário especificar como ele o conseguiu, e os motivos de ter conseguido ajuda do bruxo. É necessário lembrar também que o talismã não altera as necessidades físicas da sereia, e dias sem contato com água pode ser fatal.

III. Liberdade
Diferente das outras espécies, as sereias jogáveis não são, em sua maioria, partes do reino abissal, e sim pequenas civilizações que se distanciaram, ou agentes que atuam por conta própria, dessa forma, não precisamos esclarecer muito aqui além de deixar claro a liberdade de desenvolvimento que depende de cada jogador que escolher desbravar o estranho mundo da superfície.

IV. Comunicação
As sereias costumam se comunicar entre si através de ressonâncias de várias frequências, emitidas pela suas cordas vocais altamente flexíveis, possibilitando alcançar timbres que nenhuma outra espécie consegue acompanhar, fazendo dessa espécie bardos natos. Também são capazes de falar o idioma comum normalmente, apesar de sofrerem com garganta seca se falarem por tempos prolongados.
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