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WINGS OF DESPAIR É UM ROLEPLAY DE FANTASIA MEDIEVAL +18
Vampiros, e a eternidade.

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Vampiros, e a eternidade.

Mensagem por Wings of Despair em Dom Fev 19, 2017 6:14 pm


– a história dos eternos

As sombras se juntaram no horizonte, e de longe, os primatas estremeceram, de olhos desconfiados, observando enquanto o céu rompia em uma chuva espessa e escura. As nuvens ondulavam no céu, ressoando trovões distantes. Não era a hora. Eles não estavam prontos. Ainda não estavam prontos.
A entropia aguardou, seleta, enquanto a humanidade nascia.

Era o início dos tempos, o primórdio das eras, quando as palavras ainda estavam sendo inventadas e uma vida mal durava trinta invernos. Lobos ainda não haviam sido domesticados e uma estrela cadente era vista como uma mensagem divina - o motivo de estarem ali, sem duvidas, era porque algum deus havia os colocado, ou assim pensavam. Quando era inverno fazia frio, muito frio de acordo com sua posição geográfica, mas eles não sabiam o porquê. Vestiam trapos, quando esfriava cobriam seus corpos com peles de animais, era um ano desconhecido antes da existência da coerência. Porém, enquanto se perguntavam quais eram seus propósitos, enquanto descobriam como fazer fogo, como encontrar comida, como viver, e inventavam deuses que mandavam raios nas noites chuvosas, as mães engravidavam e tinham filhos. Neste mesmo inverno, num dos primeiros invernos da humanidade, nascia um bebê de gênero masculino. Nesse dia, as nuvens negras que acompanharam gerações intermináveis, finalmente desapareceu. Isso foi tomado pelos humanos como um sinal. Lithüm nasceu e sua mãe morreu. O garoto se tornou o símbolo do renascimento, do recomeço, e tempos prósperos foram prometidos pelos sábios.
O garoto foi nomeado por seu pai, quando tinha cinco anos, pois havia sido a primeira palavra que aprendera a falar. Anos depois, Lithüm crescera e aprendera tudo o que seu pai ensinara; Como caçar, como conseguir sua presa. Dois anos depois de seu nascimento, seu pai se juntou à outra mulher, e ela teve Lörn, seu irmão mais novo. Lithüm e Lörn eram como unha e carne. Lithüm possuía cabelos tão loiros que chegavam a parecer brancos, enquanto Lörn possuía madeixas alaranjadas, sendo ruivo, com sardas pelo corpo inteiro e a pele cor de bronze. Os garotos costumavam brincar juntos, fantasiando aventuras pelos arredores da floresta de taiga, brincando com gravetos como se fossem as lanças que seu pai usava para caçar os selvagens lobos da região. Em uma das caçadas, seu pai fora ferido gravemente por uma mordida de lobo, mas se recuperou bem, com pouco mais do que uma cicatriz como sequela. A aldeia considerou um ato milagroso dos rituais, mas Lithüm sempre dispensou essas crenças. Preferiu alimentar dentro de si um repúdio pelos lobos da região.
As brincadeiras seguiram momentos mais sérios na vida dos garotos, que logo começariam a acompanhar o pai e os outros caçadores da aldeia em suas incursões pela mata. Lithüm muitas vezes preferia se distanciar do grupo, o que lhe rendia reclamações severas do pai. Mas por algum motivo que ele não entendia ainda, sempre se sentiu inclinado a mergulhar nas sombras da mata, e deixar-se ser consumido por tudo o que há de escuro no mundo. Preferia caçar sozinho, à noite, longe dos olhos descuidados da aldeia.
Uma vez, em uma noite profunda, Lithüm escapou dos cuidados da aldeia para buscar um recanto na floresta. Lá, nas profundezas da mata, quando tudo o que restava de luz era o tênue e distante fogo da fogueira, Lithüm ouviu o som de água. Não era o som como o da água que rompe dos céus, nem o da água que corre em rios. Era o som de água cristalina e estática, respondendo com pequenas ondas ao sopro do ar. Um som tão delicado e único que talvez ninguém mais em toda a história do mundo tenha ouvido. E era lindo. Quando voltou para sua tenda aquela noite, teve a noite de sono mais tranquila de sua vida. O garoto tentou procurar mais uma vez por aquele mesmo lugar na floresta, mas não voltou a encontrar por muitos anos ainda por vir. Não estava pronto, não ainda.
O tempo passou, e quando completou vinte e seis anos, um novo povoado se juntou à sua vila primordial, e com eles chegou uma jovem que mudaria sua vida para sempre. A moça se chamava Svekr. Encantou a todos com sua generosidade e seu bom coração, inclusive os irmãos. Lithüm foi o primeiro a revelar sua curiosidade pela jovem à seu irmão, e logo Lörn achou que seria justo expressar o que sentia por ela também. Os dois prometeram que não deixariam isto subir à cabeça, mas as linhas do destino não permitiram que esta promessa se cumprisse. O destino tinha planos diferentes para Lithüm.

Já fazia 3 invernos que o novo povoado havia chegado, agora com vinte e cinco anos e Lörn com vinte três, Lithüm continuava sua rotina naquele dia de verão, empilhando lenha para acender a fogueira quando o sol fosse embora. Os ventos frios que varriam as montanhas anunciavam uma noite gélida e muito escura, e a promessa de tempos melhores que nunca chegaram apenas reforçava a ideia de Lithüm da falta de poder do sábio. Quando a mística lua e os pontos amarelos no céu eram cobertos por nuvens pesadas, escuras e quase palpáveis, não existia luz, e o vilarejo cobria-se de uma escuridão tremenda, onde apenas vultos podiam ser vistos através da fraca luz das fogueiras. No fundo de seu peito, Lithüm sentiu que algo de ruim estava para acontecer. Do fundo da floresta, Lithüm sentiu um sopro vazio, uma tentativa vã de seus ouvidos encontrarem o som que tanto o encantou.
O pai dos irmãos já estava velho, com quarenta e dois invernos, mas isto não o impedia de ir à caça com os mais jovens, e era o que havia feito naquela manhã quando o sol nasceu e a névoa gelada preencheu o horizonte. Lithüm passou o dia inteiro empilhando madeira, e às três da tarde, quando começou a afiar sua pedra cinzenta para caça, percebeu uma movimentação súbita. Um rosto atormentado se revelou através do fraco e azulado raio de sol, com olhos vermelhos de choro, Squel, um dos homens que havia ido naquela manhã, suspirou fundo e despejou tais palavras: "Lobos surgiram no meio do mato, era grande e tinha muita raiva, hesitamos em atacá-lo, mas seu pai pegou a lança e pulou em cima dele. Ele perdeu muito líquido vermelho, não conseguimos salvá-lo". Ao ouvir as palavras daquele homem, Lithüm levantou-se do chão, sentindo seu corpo inteiro dormente, sua visão estava turva e mal conseguia distinguir as pessoas ao seu redor, mas ainda assim correu para o grupo de homens que se amontoava ao redor do cadáver azulado de seu pai. Se ajoelhou, segurou o rosto de seu progenitor e pôs-se a chorar. Nunca havia chorado tanto, e não haviam palavras para descrever aquela emoção, mas ele estava sentindo uma dor que não acreditava suportar. Lörn havia ido com ele naquela manhã, por que não fez nada para ajudá-lo? Por que não o salvou? Viu seu irmão, mas não conseguiu olhar em seus olhos. Após escurecer eles continuaram ao lado do pai, em um luto profundo por sua morte.

O tempo passou devagar, e apenas na terceira noite, Lithüm conseguiu dormir, quando, finalmente, ouviu o velho som de água cristalina ressoando à sua volta, mesmo tão longe da floresta, no calor de sua tenda. Seu coração se acalmou e seus olhos pesaram de cansaço, e ele finalmente dormiu. Os dias passaram um pouco mais suportáveis, e uma semana depois, quando as árvores começaram a alaranjar, Lörn e Svekr deram uma notícia que mudaria tudo: Iriam se juntar. Estavam apaixonados, queriam ter filhos, dividir uma vida. E seria na vila natal de Svekr. Com a morte do pai, a traição do irmão, a perda de Svekr para o sangue do seu sangue, e agora a ausência permanente dos dois, Lithüm não suportou. A tênue paz desapareceu do coração do jovem, e ele rompeu pela floresta como um louco em busca do som. Repetia o tempo inteiro em sua mente: "E que os lobos me matem também!". Não suportava aquela vida, era dolorosa demais. Descobriu um tempo depois, que mesmo a eternidade não lhe tira a dor da existência. Ele correu até escurecer e seus membros doerem como se ele estivesse morrendo. Se ajoelhou à frente a um lago e bebeu sua água gelada. Suas mãos tremiam de frio e seus dentes se chocavam em sua boca. Porém, enquanto lavava o rosto, viu uma luz vermelha. Uma luz vermelha no fundo do lago que emitia o som que tanto buscou.
Lithüm estendeu a mão e a pegou, seu coração batendo forte, mas tomado por uma calma gélida, observou-a por um tempo, como brilhava de uma forma aconchegante... Parecia diamante, um formato circular, vermelha escarlate. Decidiu que a guardaria e não daria nome à ela. Ela o lembrava da sua dor, e talvez ela pudesse, de alguma forma, permitir que ele levasse consigo o som do lago. Demorou a achar o caminho de volta, mas já havia passado por aquela trilha diversas vezes em caças quando era mais jovem, e com sorte conseguiu encontrar o vilarejo. Exausto, faminto e tomado por dúvidas, entrou na cabana de sua família e encontrou seu irmão o esperando.
— Perdoe-me, Lithüm. — Ouviu Lörn pedir, se aproximando.
— Vais mesmo abandonar teu irmão?
— Não irei te abandonar. Eu sinto vontade de ficar com ela, sei que sente isto também, mas... —

Lithüm apenas meneou a cabeça e levantou, indo para a cama. Dois dias depois eles foram embora.

Já haviam se passado cinco anos desde que não via seu irmão, Lithüm havia se envolvido com outras mulheres, encontrado novos companheiros de caça, e parecia que os dias haviam voltado para a mesmice de sempre, apesar da constante pulsação da pedra que encontrou no lago. Até que o casal retornou à vila de Lörn para visitá-los. Quando chegaram acompanhados por quatro crianças - três meninos e uma menina -, Lithüm sentiu que, assim que olhou nos olhos delas, algo havia mudado dentro dele. Eles se alojaram na casa de Lithüm, relembraram os velhos tempos. Era aniversário de morte do pai dos irmãos, e com a visita, Lithüm se tornou um ser deprimido e desagradável, então para o bem de todos resolveu sair para tomar um ar. Ao lado de fora lembrou-se de sua pedra que guardava com tanto carinho há muitos invernos, tirou-a do bolso e ela parecia mais vermelha, como sua dor, pulsando com o leve tinir do seu velho e único amigo, o som da água. Não conseguiu entender, mas inexplicavelmente sentiu uma inquietação em seu peito que nunca sentira antes, e não a familiar tranquilidade. Olhou para a floresta, sentiu seu estômago embrulhar e uma vontade incontrolável tomar conta de si. Parecia que as árvores o chamavam. Correu pela floresta como naquele maldito dia, mas desta vez, após passar pelo rio, Lithüm não encontrou o caminho de volta. Caminhou até a madrugada, faminto e com frio, Lithüm sentou-se à beira de uma árvore sem nenhuma folha ou frutos. O inverno estava chegando e as árvores estavam perdendo toda a sua vida, mas nenhuma estava como aquela. A única fonte de calor que possuía era a pedra, que brilhava cada vez mais forte. Frustrado, com ódio, despejou sua raiva na árvore. Seus punhos já estavam sangrando, e quando seu sangue se misturou com a pedra em sua mão fechada, viu pelo canto do olho esquerdo um vulto escuro passar ao seu lado. Virou-se para frente e viu algo místico, que nunca imaginara encontrar. Ao redor de Lithüm, uma camada espessa de algo preto como névoa sobrevoava pelo chão, indo em direção a um ser que pairava à frente do homem. A luz pálida da lua iluminava a entidade sem nome, e ela sorriu. Seus dentes pareciam garras, e seus olhos eram totalmente pretos. Sua pele? Ele nem parecia ter pele, nem cabelo ou nariz. Era um ser esguio e grande, com uma capa preta que cobria-o até os olhos, e vestia-o até onde as sombras o circulavam. Sua presença gerava raiva, revolta, repudia. Por que com ele? Por que seu irmão, e não Lithüm? Por que não tomar à força o que ele sabia que merecia? Seus pensamentos foram cortados por uma voz retumbante:
— Vejo que encontrou minha pedra. — Sem saber o que dizer, Lithüm continuou encarando o ser. Se entreolharam até que ela voltou a falar. — Veja sua cor, Lithüm. — O homem de cabelos quase brancos mal conseguiu tirar os olhos daquele ser, mas abriu a mão ensanguentada e a olhou. Estava mais viva e vermelha que nunca, um vermelho escuro, que se movia no interior da pedra, como se acabasse de acordar. — Ela é sua dor, creio que já entendeu isto há muitos invernos. — Ele ouviu um grunhido áspero e rouco.
A frustração voltou a perfurar as entranhas de Lithüm, sentiu lágrimas de ódio descerem por seu rosto.
— Eles o abandonaram, Lithüm. — Ouvia a voz do ser cada vez mais próxima. Ela chegou até perto dele, ele sentiu as sombras o invadirem, ergueu sua cabeça e viu os olhos do ser fixos no seu. — Mas eu não lhe abandonei jamais. Eu dei à suas noites de dor uma tranquilidade incomparável. Eu ofereci à seu luto uma solução, e a seu medo a esperança. E irei lhe ajudar, minha criança... Irei lhe dar as coisas que mais deseja, todas as riquezas do mundo, eras que nunca imaginou que iria ver, poder, vida eterna. Mas não poderia lhe dar algo tão poderoso se não me oferecer algo em troca. — Lithüm imaginou por um milésimo de segundo arrancando a cabeça de seu irmão e tirando a vida da mulher que amava.
— Quem és ti, criatura? Que tipo de desgraça você traz?
— Tua noção ainda é muito limitada para entenderes minha resposta, prole... Existe um equilíbrio no universo que só vais entender nitidamente daqui há eras, e irás me agradecer. Mas antes terás que me dar uma resposta. — Lithüm sentiu seus pulmões pesados e os olhos marejarem, mas num ato impulsivo, sentindo aqueles sentimentos incontroláveis, com muito frio e muita fome, sentindo o cansaço tomar conta de seus músculos, ele disse um "sim" vacilante, engoliu em seco e olhou para o ser, que gargalhava.

Quando fez o trato com a entidade, Lithüm não sabia que estava fazendo a pior coisa que qualquer ser humano havia feito na história. Entretanto aquele era o início da história, então talvez erros tivessem de ser cometidos. Suas pernas falharam, e um forte impacto rompeu em seu pescoço, espalhando chamas por dentro do seu corpo. Tudo apagou em dor.
Quando acordou estava num estado deplorável, deitado em sua cama, doente. Feridas haviam se aberto em sua pele, a febre aumentava e parecia que sua cabeça iria explodir. Lörn havia dito que alguns homens saíram para buscá-lo pela manhã, ao nascer do sol, e o encontraram ao lado do lago na trilha da serpente, a mesma que havia tomado na primeira vez que se perdeu, há muitos invernos. Ele não conseguia recordar de como havia chegado na trilha, muito menos na trilha do lago, já que estava longe demais para sequer se encontrar. Disse à si mesmo que havia alucinado tudo o que havia acontecido na noite anterior. Seu irmão planejara ir para casa dali há dois dias, mas decidiu ficar durante mais tempo, pois queria tomar conta de Lithüm. Não conseguiu sair da cama durante muitas noites, até que começou a vomitar suas entranhas e defecar sangue. Seu ouvido estava estourando e seus olhos cobertos por uma infecção terrível. Via tudo em vermelho, já que o sangue da infecção estava espalhando-se até sua pupila. Svekr trazia-lhe sustento, alguns pedaços de carne e água, mas ele não conseguia ingerir. Tudo o que entrava em seu estômago era expelido para fora, e ele começou a emagrecer e definhar como um condenado. Seus ossos começaram a enfraquecer, alguns estavam começando a virar pó. Suas unhas apodreciam e pedaços de seu intestino saíam em suas fezes com bolos grandes de sangue coagulado. Ele já não lembrava mais seu nome na manhã chuvosa e extremamente fria em que morreu, já não conciliava mais nada além da dor lancinante que se submetia sem saber.

Após uma morte dolorosa e desumana, acordou. Sentiu areia em seus pulmões e o gosto dela em sua boca. Tentou abrir os olhos, mas não conseguiu, então começou a se desenterrar-se. Ele havia sido enterrado no meio da floresta. Ele havia morrido? Mas não lembrava de ter morrido. Ao se desenterrar, viu em seu corpo um tecido diferente, elegante como no dos outros cadáveres. Cambaleou até o rio. Era uma grande coincidência, pois estava na trilha da serpente novamente. Se sentia estranho, se sentia vivo como nunca antes. Conseguia ouvir o chacoalhar das folhas nas árvores. Conseguia sentir o vento passar por seus poros, conseguia ver claramente tudo mesmo na escuridão total. Mas não encontrou o som do lago, e isso o perturbou profundamente. Ajoelhou-se pela terceira vez em frente ao rio, e quando ia lavar o rosto, o reflexo mostrou-lhe o que ele havia se tornado. Ele viu sua cor cadavérica, seus olhos vermelhos - como a pedra -, seus dentes brancos e belos - bem afiados. Estava lindo como a lua, ou o amanhecer. Passou as mãos pelo rosto, passou os dedos por suas presas que saíam e entravam na gengiva fazendo-o sentir uma dor pontuda e breve. Seus lábios estavam azulados e engasgou-se quando tentou respirar, percebendo que não era mais necessário. Queria saber o que estava acontecendo, não se recordava de absolutamente nada. Andou até a vila, desta vez lembrava nitidamente do caminho que fazia, e percebeu o que lhe incomodara a viagem inteira: Sua garganta ardia como se estivesse pegando fogo, seu corpo doía como se houvesse apanhado, seus ossos rangiam como se estivessem se deslocando, quando o vento tocava seus poros, era como se estivesse sem pele. Ele estava com muita sede. Seus sentimentos estavam aguçados e quando viu Svekr acariciando o rosto de Lörn, que chorava pela sua morte, seu coração doeu.
Seu ódio e sua dor transformaram-no num monstro maior do que si mesmo. No meio da noite nublada e gelada, os moradores da vila conseguiam ver vultos rápidos como um arco passando pelas luzes das fogueiras e destruindo tudo o que encontrava em sua frente. Ele dizimou sua vila inteira, torturou seu irmão até a morte, se deliciou com o sangue de todos eles... As veias em seu rosto causadas pela sede sumiram, seus olhos apagados voltaram a ser vermelhos escarlate e vivos, como a pedra do seu pacto com a entropia.
Ele estava saciado. Quando se ajoelhou à frente do fogo que tomava conta de todas as cabanas de madeira e pedra, Lithüm viu seu criador à sua frente com um sorriso no rosto e os dentes afiados se aproximando. A criatura sentou-se à frente de Lithüm e com uma voz estrondosa, falou:
— Agora tu és da noite, da sombra e do frio, assim como eu. Como tal, a luz te afugenta e o calor te enfraquece, Lithüm. Mas é do calor que você se alimentará. – Lithüm então olhou para as próprias mãos, tomadas por sangue, e nunca em sua vida ele sentiu uma textura tão tenra e aconchegante. – Mas filho, veja esta criatura que implora seu olhar. — Lithüm ergueu a cabeça e olhou nos olhos do ser pela segunda vez. — Você dizimará nações, você é o primeiro de muitos, você ficará conhecido até o fim dos tempos e descobrirá uma imensidão cósmica indomável. Você é o agente da minha causa, meu senhor de guerras.



Última edição por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 9:01 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Vampiros, e a eternidade.

Mensagem por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 4:19 am


e então?

Lithüm viveria por milênios a se seguir, participando de inúmeras guerras e momentos históricos e cumprindo um papel que forjou o futuro do mundo. Insaciável em sua sede, e guiado pela entropia, Mulaprakriti, os dois iniciaram por séculos o que seria a alvorada da espécie dos eternos vampiros. Eventualmente, Lithüm tentaria se libertar das garras da entidade, levando consigo o pedaço incandescente do Fohat, liberando na entropia uma ira indescritível, que iria dedicar bastante esforço para retirar a pedra das mãos do primeiro vampiro, eventualmente conseguindo com a criação dos licantropos. Após o nascimento e queda de inúmeras civilizações, os vampiros prevaleceram, escondidos nas sombras, até o céu romper em chamas e o mundo se partir. Os seres da sombra observaram de seus recantos enquanto os inexperientes humanos sentenciavam o mundo à eras de fogo e dor. Mas eles sabiam que o tempo acalmaria as chamas e os ventos do destino abririam espaço para uma nova era, uma era em que eles não mais viveram nas sombras, mas andariam livres em um novo mundo. O declínio foi tudo o que os vampiros precisavam para libertar todo o seu poder oculto, tornando-se a maior potência no mundo de hoje, em suas terras de gelo eterno, enquanto lentamente movem as linhas de suas marionetes. Atualmente, os vampiros se preparam para uma batalha derradeira contra os lobisomens, uma busca por retaliação que o novo rei dos eternos iniciou. Aleksandr não deixará a morte do seu pai passar impune.
É a melhor época para se juntar à eternidade sombria e fazer parte da dominação do mundo.
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Re: Vampiros, e a eternidade.

Mensagem por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 4:33 am


Peculiaridades

I. Anatomia
A aparência dos vampiros é um ponto importante a ser anotado, já que não é apenas a palidez que se torna notável. Quando se vira um vampiro, suas iris se tornam vermelhas e o cabelo empalidece, perde a cor. Com o passar dos séculos, vampiros que na vida humana eram loiros se tornam albinos. Os cabelos e unhas continuam crescendo, mas não há a possibilidade de coloração na pele.

II. Camuflagem
Assim que se transformam em vampiros, eles adquirem a habilidade de se camuflar próximos aos humanos. Nos tempos atuais isto não se torna mais necessário - embora alguns o pratiquem para conseguirem atrair a presa mais facilmente. Este dom só pode ser usado corretamente quando existe uma certa quantidade de sangue no organismo do sujeito. Eles usam este sangue para aquecer suas veias e ficarem mais corados, parecem mais humanos. Isto deixa seus globos oculares um pouco vermelhos, mas não muda a cor da íris. Quando usam este poder nenhum ser, além dos de sua própria espécie, conseguem detectar a presença de que existe um vampiro no local. Este poder exerce uma certa quantidade de força vital e de sangue, então poucos vampiros o praticam. Após usar este poder por meia hora ou mais sem ingerir mais sangue podem desmaiar se não souberem controlar seu próprio corpo ou perderem o controle - o que acontece na maior parte das vezes que esta habilidade é usada.

III. Trevas
Sendo filhos da própria treva, podem controlá-la com concentração suficiente. Uma camada espessa de névoa negra se forma ao redor, ao lado ou sobre o vampiro. Um vampiro que acabou de se transformar não consegue exercer tal habilidade, mas um que está vampirizado há uma década ou mais consegue controlar as trevas e moldá-las da forma que quiser. Às vezes, quando querem se divertir, conseguem fazer as sombras circularem suas vítimas ou circularem a si mesmos.

IV. Telepatia
Vampiros mais novos não conseguem tal habilidade, mas vampiros mais velhos - com mil ou mais de mil anos - conseguem se comunicar com os outros pela mente, dependendo da idade do vampiro, maior a distância que as ondas magnéticas conseguem chegar. Não exerce nenhuma força física ou mental, eles apenas se concentram na pessoa e invadem sua mente. Não funciona, nem mesmo se fosse Lithüm, se a presa estiver muito distante.

V. Transmutação
Sendo seres da escuridão e tendo ligações com tal, conseguem se transformar em outro ser. Porém, isto suga boa parte de sua energia vital e após voltar ao normal fica quase impossível não sentir sede ou não se enfraquecer, por isso é completamente desaconselhável usar tal habilidade durante uma luta e permanecer no local.

Sombras - Conseguem se transformar em sombras, assim como as trevas, e se espalhar pelo ambiente, camuflando-se, apesar de que a sombra mais espessa pode alarmar um olhar atento. É também possível usar como forma de locomoção, apesar de ser uma forma extremamente desgastante. Um vampiro mal alimentado não conseguirá assumi-la, e mesmo um antigo vampiro bem alimentado não poderá passar mais do que alguns segundos nessa forma.

Morcego - Conseguem se transformar em morcegos através da transmutação, e voar para outro lugar, ou se camuflar entre outros morcegos e nunca ser achado. Como os morcegos possuem uma onda psíquica para se comunicar com outros morcegos e gerar inúmeras possibilidades.

Assim que a transformação termina e o corpo "renasce das trevas", percebe-se de imediato que há algo de diferente em si. Logo verás que o que há de diferente é que você consegue ouvir o farfalhar das folhas nos altos das árvores, verás as partículas de poeira voando acima de sua cabeça, sentirás o cheiro das águas do rio mesmo estando há quilômetros de distância, assim como terá a sensação de perigo ou de que algo ruim está por vir antes mesmo disto acontecer. Os sentidos aguçados facilitam muito a vida de um vampiro, principalmente em batalha.

VI. Mudanças corporais
Quando se tornas imortal não é apenas os seus sentidos que ficam aguçados. Segue a pequena lista:

Força - Seus sentidos se aguçam, e junto com eles seu corpo também. Vampiros tem super força, são bem mais fortes que os humanos normais e mais ágeis que licantropos, apesar de possuírem menos força. Se forem experientes, podem travar batalhas titânicas com mais de um licantropo.
Agilidade - Eles conseguem pular de uma construção a outra, de uma árvore a outra, ou escalar um penhasco com facilidade.
Beleza - Um vampiro é um predador nato. Como prova disto, está a aparência exuberante que ganha após sua transição. O olhar, a voz, os movimentos, tudo contribui para atrair e destruir sua presa.

VII. Controle mental
Eles fazem de tudo para conseguir o que querem, são seres perigosos e manipuladores, e muitas vezes usam esta habilidade para isto. Se não fizer o que ele quer, e ele olhar nos seus olhos e dizer que você vai fazer aquilo, você fará pois estará sob hipnose. Se ele quiser que você esqueça de toda sua vida, até mesmo de seu nome, você irá esquecer. Mas não para sempre, as memórias em alguns minutos irá retornar e o controle irá sumir, uma vez que não seja mantido. As vezes a própria presença de um vampiro é suficiente para subjugar alguém, fazendo dessa habilidade uma última opção. Humanos são particularmente sensíveis à o controle.




Última edição por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 9:10 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Vampiros, e a eternidade.

Mensagem por Wings of Despair em Seg Fev 20, 2017 4:36 am


Outros Detalhes

I. O sol
Quando são recém-transformados e o sol toca sua pele, os filhos da guerra sentem instantaneamente o calor assar sua carne por baixo da pele frágil, que facilmente escurece, e na mais simples brisa é soprada aos ventos como cinzas. Se não saírem da luz direta do sol a tempo, seus corpos lentamente irão carbonizar-se a ponto de endurecerem, e vai ser tarde demais para tentar se mexer. Os mais velhos conseguem ficar no sol sem sentir um efeito além de desconforto, mas mesmo assim, uma exposição prolongada de horas a fio fará a sua pele iniciar os sinais de carbonização. Os vampiros mais experientes conseguem ficar no sol por mais de um dia e não se queimam, simplesmente porque sua pele é mais resistente. Embora a resistência de sua pele seja mais alta, se ficarem mais tempo que um ou dois dias, sua pele começa a queimar, e as queimaduras são bem piores do que se pode imaginar, e será preciso se alimentar para regeneração caso a exposição tenha sido muito prolongada.

II. Abstinência à sangue
Quando vampiros ficam muito tempo sem beber sangue ficam fracos. Seus olhos que são profundamente vermelhos, escurecem, as veias dos globos oculares assumem uma tonalidade preta, destacando-se no branco agora acinzentado do globo. Sua palidez que naturalmente é brilhante, se torna apagada, eles ficam débeis e mais sarcásticos que o normal. Num estágio mais grave começam a ter alucinações e a perder o senso de direção. É possível observar efeitos de putrefação pelo corpo, a medida que lentamente a carne endurece e os sentidos começam a falhar. Uma dor indescritível costuma tomar conta de todo o corpo do vampiro a partir do terceiro de abstinência total. É um dos momentos em que os vampiros perdem completamente suas habilidades, e enfraquecidos a este ponto, um único humano pode por fim a sua vida, se for cuidadoso o suficiente. Entram em um estágio inerte com um mês ou mais, parecem mortos ou desmaiados, a consciência some, mas eles continuam vivos. Quando estão há mais de um mês sem sangue sua pele começa a descascar, e logo começa a se desfazer como tecido velho, expondo as entranhas apodrecidas, até que não sobre mais nada.

III. Morte
As outras únicas formas de matar um vampiro, além da citada acima, é deixá-lo no sol até virar cinzas, arrancar sua cabeça e tocar fogo no corpo ou deixá-lo sem sangue por mais de um mês. Em um combate direto, a agilidade e força de um vampiro pode ser um desafio apenas para lobisomens, mas não podemos esquecer que um bom bruxo pode ser uma ameaça terrível, uma vez que os vampiros sejam descuidados. Ardilosos são os usuários da magia.

IV. Transformação
Nos dentes de um vampiro existe veneno, um veneno extremamente forte e letal, uma única aplicação exagerada é suficiente para ressecar as veias e artérias de um corpo. A transição de um humano para um vampiro se divide em três dolorosas partes. A primeira é a inserção. A inserção é quando a criatura deixa o veneno de seus dentes entrar na veia do ser humano. Durante este processo inicial é muito importante ter cuidado, um cuidado extremo, para deixar no corpo a quantidade certa, pois pode intoxicar e matá-lo caso exagere na dose. Neste momento ele sentirá uma leve queimação no peito, por conta do veneno bombeado para o coração, além de um frio se espalhando pelas veias. Rapidamente a rede sanguínea irá gelar, o batimento diminuirá, o humano estará tendo alucinações e dependendo de seu organismo, poderá sentir uma necessidade inexplicável por mais veneno, isso deve ser controlado uma vez que consumir além do limite pode ser fatal. Ele também precisará estar muito bem cuidado e forte, pois uma fraqueza e seu corpo não suportará. A inserção demora cinco horas, pois os glóbulos vermelhos estarão se transformando em algo inexplicável para a ciência e entendimento humano. Estes glóbulos irão apodrecer e funcionarão como zumbis, se renovando a partir de sangue de outros. Um vampiro só poderá se alimentar de humanos, ou de raças que não tenham o sangue corrompido (como lobisomens, por exemplo); não se deve beber o sangue de outro vampiro, pois ele não irá saciar sua sede, irá apenas expandi-la. Assim que um vampiro se alimenta, seus glóbulos se renovam e ele se sentirá forte, energizado e seu cérebro irá reagir positivamente e as funções de muitos órgãos de seu corpo voltarão a funcionar, como a produção hemoglobina e a regeneração dos tecidos do corpo, além de permitir o funcionamento de outras partes do corpo voltadas ao prazer.
A segunda fase é a morte; com sorte o humano irá voltar dela. Após seus glóbulos morrerem, ele também precisa morrer. O corpo lentamente desliga e murcha por dentro, e inicia-se a renovação. Entre 10 ou 15 horas todo o sistema de seu organismo irá renovar-se, renascer como algo diferente. Algo que lhe trará uma nova realidade. O intestino já não funcionará como antes. Para um vampiro não existe a necessidade de usar o banheiro, apenas se sua alimentação não for apenas de sangue, e não se alimentar de sangue pode por em risco a higiene do vampiro, uma vez que o intestino, sem funcionar, não poderá processar a comida, que irá apodrecer em seu interior. O paladar se aguça e muitos se aproveitam disto provando alimentos e o seu corpo digere-os, demora mais para seguir todo o seu caminho para ser expelido, e sai para fora do corpo da mesma forma que antes: por fezes e urinas. O organismo se torna mais preguiçoso para coisas humanas, e quando se ingere alimentos em excesso, o estômago não consegue processá-los, e o individuo vomita. Por outro lado, processos sanguíneos, como sensações, emoções, prazer, dor, etc se tornam mais rápidos e mais intensos. Se um vampiro ver alguém por quem se apaixonou antes de sua transformação, e ainda ama, este sentimento irá ser duas vezes maior. Ódio, arrependimento, tristeza e emoções ruins também se agravam. Estados mentais, como loucura e depressão duplicam. Caso o humano acorde, ele irá poder apreciar tudo isto, mas antes temos a terceira fase.
É onde ele precisará se alimentar para poder finalizar sua transformação. Quando seus glóbulos se renovarem, presas demorarão por volta de 3 horas para nascerem, rasgarem sua gengiva e se tornarem parte do corpo. Ele poderá dominá-las livremente, usá-las inclusive para cravar em pescoços e se alimentar.

V. Regeneração
Ferimento - Quando recebem uma facada, por exemplo, se machucam naturalmente, sentindo dor caso tenham se alimentado recentemente, caso estejam sem se alimentar, não sentirão dor devido a falta de funcionamento do corpo. A regeneração não ocorre por completo até que o vampiro se alimente, podem lutar e se defender, mas a ferida continuará aberta até ingerirem sangue. Então a ferida se fechará e não existirá cicatrizes.
Queimaduras pelo sol - Ao se queimar pelo sol, abrem-se feridas em seu corpo. Os anciões mais velhos ou os mais experientes conseguem ficar um tempo no sol - apenas em movimento. Quando as queimaduras são superficiais ou de segundo grau eles se recuperam ao beber sangue humano - ou apenas sangue, não importa do quê. Demorará um ou dois dias inteiros para se curarem por completo se não o fizerem.
Destruição fatal – Mata-se um vampiro de uma vez por todas arrancando seu coração e queimando o corpo, - não é obrigatório queimar o corpo, mesmo sendo recomendado. Ao arrancar o coração ele não poderá mais renovar seus glóbulos vermelhos e bombear o sangue para o corpo, impossibilitando regeneração de ferimentos mortais.O vampiro continuará vivo, mas deploravelmente vivo, apodrecendo. Transformá-lo em cinzas o fará desaparecer completamente.
Suicídio - Embora seja raro, vampiros já tentaram se suicidar. Geralmente ocorria no começo, depois da transformação. Alguns tentaram se jogar de um precipício, outros ficaram sem beber sangue por muito tempo... Eles se regeneram, seja lá o que fizerem. Se arrancares um membro de um vampiro ele ficará sem tal membro, mas se ele recuperar o braço - por exemplo - e ficar em descanso apenas com sangue e seu braço próximo ao lugar de origem com a ferida ainda aberta, os tendões se reencontrarão e voltarão ao lugar, assim ele terá o membro novamente. Isto só é possível em torno de três ou quatro dias sem nenhum pingo de sangue no organismo, ou a ferida se fechará. Após este tempo a ferida começará a se fechar e será impossível colocar o membro de volta. O suicídio só é possível com a mutilação do próprio coração, e a carbonização do próprio corpo.
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